O segredo dos meus olhos foi inventado por ti!

O segredo dos meus olhos foi inventado por ti. Dizias que havia algo de misterioso e intrigante por detrás dos meus escuros olhos. Afirmavas que eu era portadora de um mistério inigualável, que tinha o olhar mais profundo que já havias visto.

Dizias ainda que não havia ninguém com um olhar tão brilhante e simultaneamente com uma mente tão obscura como a minha. Contradizias-te e eu gostava de te ouvir. Descrevias-me com as frases mais dissimuladas e encantadoras que existiam. Dizias que era muito misteriosa, que tinha muitos segredos… chegaste até a dizer que os meus horizontes existiam para além dos teus horizontes, que eram infindáveis. Sorrias, ao ironicamente, dizeres que eu deixava ‘olhares perdidos por todo lado’… E com isto conquistavas-me…  E, quando reparei, o horizonte havia sido roubado, ou talvez apenas alterado. Quem sabe tivesse eu sobre ele mudado…

Tu mudaste… Eu mudei… O meu olhar perdeu-se por novos horizontes. Os meus mistérios ultrapassaram os teus limites. A minha mente obscura sufocou a paz do teu sorriso. Deixaste de apreciar o obscuro, o mistério do meu olhar profundo. Deixaste-te prender pelos teus, delimitados, horizontes. Ficaste preso na clareza do conhecido e deixaste-me partir sozinha, a mim e à minha mente obscura, para o desconhecido. Deixaste-me só na conquista de novos olhares, de novos horizontes. Deixaste-me e perdeste-te. Tu e os nossos horizontes, eles também se perderam um do outro… Eles também se desencontraram entre os nossos olhares. Era esse o segredo dos meus olhos, ‘ ver para além do teu horizonte’. Foi ele que nos juntou e, no final, nos separou. Foi ele… Foi o segredo dos meus olhos!

PORRita M. Fonseca
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