O que posso esperar de ti?

Estou aqui sentada, sem chão, perdida, no meio da multidão. Estou aqui sentada, no alto do meu ser e do meu sentir; procuro desenfreadamente por ti, mas aos poucos sinto que vou deixando de existir.

Há uma lágrima que se anuncia e que não esmorece, há um coração desocupado que não te esquece, que te ama e se oferece Um sorriso amargamente feliz que se esconde por detrás dos fantasmas que me perseguem, constroem e desconstroem.

Há pessoas que passam sobre mim, que falam, que me ouvem; mas não me percebem. Não percebem que a tua ausência pode não ser notada; mas a tua presença me faz falta. Tu fazes-me falta.

Em cada esquina olho para ti, em cada pedaço de cor eu encontro o teu sorriso, em cada leve brisa o teu abraço, num raio-de-sol: espumante e florescente, um beijo teu. É um tudo de ti, que se perdeu.

Esta gente que me rodeia não sabe a tristeza que me invade, a angústia que me consome, o medo que respiro; apenas sabem que algo mudou radicalmente o que sou. Mas a vida continua – dizem por aí… – e a dor fica. Quero ver-te, distinguir a tua silhueta das demais: o teu corpo esguio e fino, o teu respirar: eclético e melódico, as tuas mãos infinitas como céu. Nada é igual a ti. Encontrar-te continua a ser uma busca incessante completamente em vão.

Questiono-me: O que posso realmente esperar de ti?
Talvez tudo ou nada; ou um tudo que não vale mesmo nada.

Esperava de ti: um café e uma carícia ao amanhecer; um olhar e um sorriso quando menos esperasse. Um verso de amor, um beijo e uma entrega total desassossegada.

Um começar de dia contigo, um passeio à beira-mar, a paixão que arrebatava o meu coração e o sussurrar da tua voz e do que sentes por mim ao ouvido. Mas partiste, quem sabe para sempre ou talvez andes por aí sem rumo e não voltes.

Desço à terra, piso terra-firme e viro as costas para o mundo; mas nunca para ti.

PORAna Ribeiro
FONTEEscreviver
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