O que fica depois?

Hoje não é dia da mãe, nem nada que se pareça, é apenas mais um dos dias que sinto a tua falta.

A presença que não será mais substituída,é daquele tipo de coisas que vejo mesmo sem ver,que sinto sem sentir literalmente. A tua presença. Essa que me dá força e que me faz dar valor às pequenas coisas pois posso,um dia mais tarde, não voltar a tê-las.

És do tipo de pessoas que não devia partir,deviam ficar sempre aqui, porque preciso de ti. Preciso de ti aqui.

Preciso da compreensão que não será dada, do carinho que não foi dado tempo suficiente, preciso de ti.

Ouço falarem de ti e descrevem-te, fico orgulhosa de ter ,é um facto, mas gostava de ter sido eu a descobrir essas qualidades e defeitos que em ti ficam a combinação perfeita. Não pude.

Não me foi dada esta chance mas sei o orgulho que tenho na tua força de vontade em viver e querer. A tua alegria era cativante e permanece para que não sejas esquecida. Porque não serás.

As tuas coisas materiais ficam aqui e juntas fazem um bocadinho de ti do que foste e “és”. «Do que nos vale as coisas materiais?» Ouço muitas vezes fazerem essa pergunta, elas servem para quem cá fica recordarem quem foi e devia ter ficado. Nem tudo tem sempre um proveito próprio podem servir para que o próximo veja pelo o que passámos.. E para que sirva de lição para não ligarem a coisas miúdas senão as grandes passam e não as aproveitas.

Contudo, sei o quanto foi difícil a vida para ti,mas quero agradecer-te e quero que saibas o quanto me orgulho de te ter só para mim. Não te tenho aqui fisicamente, mas é como se estivesses.

Obrigada mãe. (2002)