O que a solidão nos rouba, a paixão devolve-nos.

Percebemos sempre tarde quando nos apaixonamos. E foi exactamente isso que aconteceu comigo: apaixonei-me por ti, por descuido, sem querer, em pequenos intervalos de tempo, pela tua fraqueza, pelos teus medos e, essencialmente, pela tua coragem de viver.

Desconhecia que a paixão pudesse chegar em gestos de vulnerabilidade, mas deve ser essencialmente a capacidade de nos apaixonarmos que nos torna humanos. Continuo a pensar que só dois corações partidos se podem curar, que quando duas feridas se juntam e se cobrem, um pouco da vida sara. É a capacidade de amar novamente, só mais uma vez, quando pensamos que o mundo desaba a cada pôr-do-sol, que nos dá alento para continuar a viver.

Quando chegaste pouco restava de mim, apenas mágoas atreladas aos anos que foram passando, sentia-me perdido, sem fôlego, apavorado pelas minhas intermitentes noites pesadas. Persistia em procurar-me num passado que jamais me seria devolvido, quando me encontrei em ti. Devolveste-me de uma forma tão renovada que desconhecia. Existimos em formas tão distintas pelo mundo.

O que a solidão nos rouba, a paixão devolve-nos.


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