O Passeio

Naquele dia de mão dada contigo, trocando carícias à beira das águas cristalinas, rodeadas de bancos e hotéis de luxo.

Sim, eram esses os meus pensamentos enquanto deambulava, só, contra o vento frio que me gelava o nariz, ligeiramente inclinado para a esquerda por causa do livro que não conseguia ler, pois tu não me saias da cabeça.
Tudo me fazia pensar em ti.

O chorão no centro da ilha com as ramagens descaídas tinha a forma dos teus cabelos.
O brilho do sol na água a expressividade do teu olhar.
As penas das aves aquáticas a suavidade da tua pele.

Só o frio não me fazia pensar em ti, mas fazia-me pensar no quanto preciso de ti para me aquecer.

Sentia-me só, não abandonado, pois estes pensamentos não me largavam.
Enquanto caminhava em sentido contrário ao da corrente e pequenas gaivotas sobrevoavam a minha sombra, mas até esta me queria deixar, quando uma nuvem espessa e escura bloqueou o sol.

Pensei em ligar-te, ouvir a tua voz, poder dizer-te o quão feliz ficava de te ouvir e triste de não te ter por perto.

Queria ouvir o teu sorriso, sim ouvir, não preciso olhar para ti para saber quando te ris. A tua voz fica doce e trémula e provoca-me arrepios no peito.

PORRafael Barata
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