O Nosso “Nunca, Nunca”!

Eu poderia ser vidente, porque leio os traços do teu rosto como se fossem uma carta e os teus olhos a brilhar são a minha bola de cristal.

Assim posso prever o nosso futuro e quase ter a certeza de que um “felizes para sempre” não vai acontecer, o mais provável é talvez um “nunca, nunca”.

Tudo isto soa com uma certa graça, porque podendo prevenir mais uma desilusão continuo a viver esta ilusão, mas é assim há gente que não toma jeito, é o meu caso, quando o assunto és tu.

Eu sei que vais dececionar-me, fazer trapos de mim.

Aposto que vais aproveitar-te da minha inocência e vais embora enquanto me ves chorar.

Sempre me fazes sentir uma idiota cada vez que me levas acreditar que poderíamos ser algo mais, que poderíamos ser um “nós” ao invés de um “tu e eu”.

Mas eu sou demasiado inteligente para permitir que fiques desta vez e ao mesmo tempo tao burra para te deixar ir.

Tento sempre acreditar que será diferente, que tu estás diferente, porém não há jeito de mudares, o teu amor é estranho e os elogios que me diriges são cotoveladas na cara que me magoam, mas ainda bem que sou resistente.

Gostaria realmente de ser vidente, pois neste momento magia ser-me-ia útil, tudo o que dizes é vazio e eu queria abrir os olhos e ver-te tentar enganar-me sem sucesso ao invés de ficar aqui a mofar.

E mais uma vez, tu vens somente dececionar-me e sempre te vejo virar as costas a sorrir sem ressentimento.

PORLetícia Brito
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