O meu coração pertence-te!

Estou perdido. Olho para a miragem que floresce aos meus olhos, e não sinto nada.
Não sinto o meu coração a bater, nem olho para as coisas como elas merecem.
O mundo perdeu-se, e eu perdi-me nele. De todas as formas e feitios.
Estou no seu âmago, estou no recôndito da sua alma. E não pretendo sair.
Porque é esta forma de continuar vivo. E em segurança.

Percorro esta estrada que me atravessa, como o vento frio que recebo na minha cara.
Como é tão triste deixar partir tudo. Até os meus sentimentos que eu tanto os guardei…
Perdi a minha casa, os meus pertences. Perdi tudo. E deixei tudo fugir das minhas mãos.
Até o teu amor.

Agora sinto que não estou em mim, nem tenho pele para me tocar, para me sentir realmente vivo.

Olho para o céu, e ele está tão longe. Está tão longe como os meus sonhos.
E eu choro, eu choro, mas já nem lágrimas me caem. Só arrependimentos.
Só destinos inalcançáveis. Só memórias esquecidas no tempo.

Só ao teu amor é que eu agarrei com todas as forças.
E, mesmo que já não estejas aqui, do meu lado,
O meu coração pertence-te. Todo eu sou teu.
E só em ti é que penso. Vivo.