O melhor de mim

03:00, a caminho do hospital. As águas tinham rebentado, como costumam dizer, e tu vinhas a caminho.

Não sabia se haveria de chorar, ou de rir, ou de gritar. Sabia que tu estavas a chegar, e não sabia mais nada.

O desconforto é uma das coisas que nunca irei esquecer. A água que não parava de sair, a pressão que fazias sentir. Mas era sinal que estavas a chegar, e isso valia todo o esforço do mundo.

Horas e horas de espera. Esperávamos que te apetecesse sair, que estivesses preparado. Eu estava. Estava mais do que preparada. Estava ansiosa, entusiasmada e estupidamente nervosa.

Poucos sinais davas da tua vontade de vir para os nossos braços, e nós aguardávamos, esperando por ti.

Após horas de observações contínuas, avisaram que estavas pronto, que era a altura. Que nos querias ver, que querias pertencer, de vez, à nossa família.

12:20, revelaste que era a minha hora. A hora de te expulsar do meu corpo, para o mundo cá fora. Que teríamos laços que nunca se esquecia, mas que agora querias ter contacto com todos e não apenas comigo. E a felicidade ultrapassou-nos, de tão especial que era o momento.

13:10, após o choro, o esforço e o sacrifício, tinha-te nos meus braços. Sentia o teu calor junto ao meu peito, as mãos do papá sobre as nossas.

Estavas junto a nós, a finalizar a família, a encher ainda mais os nossos corações. O amor começa quando engravidamos, quando ouvimos o pequeno batimento cardíaco, mas este é redobrado quando o nosso filho nos é entregue nos braços.

Posso dizer que aquele foi o momento da minha vida. O momento em que renasci. Em que percebi, finalmente, o que toda a gente dizia, ao que toda a gente se referia. Que não havia amor maior do que este, tão forte, tão inexplicável. Um amor que te enche as medidas, que te conforta o peito, o sorriso e a alma. O amor mais perfeito e injustificável de todos. Um amor para toda a vida.

Tudo mudou. O feitio, a atitude perante todas as decisões, as prioridades, mudando tudo para melhor. Trouxeste o melhor que havia em mim, que afinal, és tu.

As tuas pequenas mãozinhas entrelaçadas nas minhas é a melhor sensação. A palavra mamã vinda da tua boquinha tem um som especial.

Ser mãe é isto? Não. Porque nunca haverão palavras suficientes que expressem a magnitude deste sentimento. O melhor sentimento.