O fim!

Alguns anos de histórias para contar, aventuras, sonhos, promessas, lágrimas, risos, olhares, trocas de carinho e confidências… mas tudo desapareceu.

Do nada uma vida, uma promessa e um sonho acabam. Do nada deixou de fazer qualquer sentido.

Ele deixou-a. De um momento para o outro, com a única justificação de que tinha de fazer a sua vida e que tinha muito ainda pela frente. Deixou-a lavada em lágrimas, desesperada, sozinha, sem sentido. Logo ela que o tinha aclamado o amor da sua vida, que fizera as promessas mais insólitas de todo o sempre. Que não tinha amado assim ninguém jamais na sua vida. Ele foi o seu primeiro amor, aqueles amores arrebatadores e cheios de paixão, aqueles amores que nos deixam borboletas a esvoaçar pelo nosso ventre, aqueles em que o sorriso  e o afago são mais importantes do que qualquer outra coisa que possa surgir. Porquê? Perguntava-se ela todos os dias. Que mal tinha feito ela? Tinha amado demais? A verdade é que amou mesmo. Tanto que a cegou. Aos olhos dela ele era perfeito, o príncipe das histórias de encantar. Mas o que restou? Um coração despedaçado, ferido e partido. Uma solidão, uma espécie de abandono. O mundo desabou para ela naquele momento, as lágrimas percorriam e a solidão era evidente.

“O tempo cura tudo” – diziam-lhe à queima-roupa. “Tu és linda e vais encontrar alguém que te faça ainda mais feliz” – diziam outros. Mas ela só queria a sua felicidade junto de quem a deixou… Amava ainda assim as suas imperfeições, porque assim é o amor. E não pode haver ninguém que diga o contrário. A cabeça tenta impor-se  mas o coração é que manda. Infelizmente, dizem muitos.

E eu digo apenas que é verdade.

– Vastas memórias, 2014

PORJoana Patrícia
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