O festival

Era uma noite diferente, não estávamos sós. Mas para mim parecia que não tinha mais ninguém para além de ti.

Enquanto dançavas ao som de uns graves profundos e melodicamente vibravas com a atmosfera de festival. De lá de trás, eu fotografava-te com o olhar.

Via-te de perfil, mais uma vez o sorriso estava lá, mas os teus cachos perfeitamente delineados não permitiam ver o teu rosto completo.

Talvez tu não saibas, mas passei a noite a olhar para ti, enchia-me de ciúmes dos avanços sobre ti.
Porquê!?

Porque não era eu, porque não tinha coragem, ou porque era só o comodismo de uma vida sem um sentido e sem esperança.

Odeio pensar que talvez te tenha perdido depois dessa noite. Mas como se perde alguém que nunca foi nosso?

O relógio não parava, e eu ia dizendo que te queria que te desejava, mas a música estava alta, mesmo ensurdecedora, não me conseguias ouvir.

Se calhar não era a música, eram só os meus pensamentos ruidosos, que não deixavam sair as palavras que tanto queria dizer.

Não me arrependo de nada, menos dessa noite, das horas, minutos ou segundos, que diante de ti eu falava sem cessar, aliás eu gritava, para dentro do vácuo.

PORRafael Barata
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