O arrebol

Todos os dias o meu despertador era uma lembrança tua, uma memória prazerosa do teu sorriso, ou de um “gosto de ti” que eu fazia questão de te dizer.

As manhãs eram recheadas por ciclos de suspiros, por segundos calculados sem uma manifestação tua.

Esta eternidade de tempo dividia-se em fotos contempladas e fantasias ideadas.

Com o turbilhão de pensamentos que frequentemente me varriam o raciocínio, usava a orla do Léman para obliterar o espirito dos mesmos, correndo em direção às plantações de colza que lembravam um quadro de Van Gogh.

Quando o arrebol se fazia notar nas margens do lago, presenteando o meu fim de dia com uma tela inesquecível, rememorava a saudade que me provocavas, pois não te tinha para partilhar tamanho encanto e simetria.

O meu dia eras tu, até que a cegueira provocada pelo sono te transformava em sonhos, tornando a imaginação numa plantação fértil e cromática implorando para que este não findasse.

PORRafael Barata
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