O amor não é para “meninos”!

Vem aí a primavera e, com ela, o mito da chegada do amor-perfeito.

Com as árvores a florescerem e o sol a despertar, as pessoas têm tendência a dizer que amam com a mesma facilidade de que vêem o sol cada vez mais perto e a noite mais longínqua nos seus dias.

Nesta altura, por norma, confundem-se palavras, gestos e afetos. Trocam-se camas e, se tudo correr mal, limitamo-nos a mudar os lençóis.

Vivemos numa sociedade cheia de liberdades e vazia de amor. Amor autêntico, amor que enche o peito de tanto ar e quase nos faz perder a respiração de felizes que somos.

Amor daquele com quem andamos de mãos dadas pela rua, sob o olhar atento dos críticos que tudo o que fazem na vida é apodrecer a sua cabeça a falar mal do que não sabem, nem têm de saber.

É triste existirem mais pessoas preocupadas com as nossas vidas do que nós mesmo, não é? Triste para elas que não têm uma vida para se focar, precisam da vida dos que os rodeiam para se contentar. Coitados… Nunca saberão o que é amor, nunca saberão o que é amar.

Enquanto isso, aqueles que amam de verdade, sofrem de verdade e vivem de verdade, vão cruzando olhares, apenas pelo maravilhoso que é encontrarem o seu reflexo na sua cara-metade, aquela que desejam que seja a sua autêntica história de amor- o “vivemos felizes para sempre.”

A vida está cheia de pessoas vazias. Pessoas que se apaixonam milhares de vezes em esquinas de ruas, em paragens de metro e sobretudo em discotecas onde ao fim do terceiro copo de vodka qualquer amor vai durar para sempre, ainda que esse para sempre tenha os minutos contados até à chegada do primeiro quarto de hotel.

A minha geração vive a querer apaixonar-se mesmo sem querer saber que amar também doí, porque se não doer não é amor. O amor também traz lágrimas, traz ciúmes, traz conflitos e momentos de alguma dúvida, porque amar é exatamente isso: uma imensidão de sentimentos juntos, aglomerados numa só palavra, num só modo de expressão. Amor é desejo, é querer, é estar – amor é ser por ter, é ficar ainda que todos te digam para ir, amor é escolher, é nunca desistir, é lutar, é sentir cada momento como nosso. Porque amor é tudo o que somos mas partilhado com outra pessoa. Pessoa essa que desejamos tanto que não queremos deixar partir. Mas até isso é amor – deixar ir ainda que tudo o que se queira é que fique. É saber transformar um “adeus” num “até já” e confiar, sobretudo confiar. É a palavra-chave, porque quem ama sabe que no fim ficará tudo bem.

Neste momento o amor é vivido por todos como uma coisa “assim-assim”, que nos faz sentir mais ou menos bem nos dias bons, mas que nem pensar que vá durar até correr mal, porque por favor, “não nascemos para sofrer” e ao primeiro problema a solução é virar-lhe costas. Pois bem, isso não é amor – é cobardia. E qual é o cobarde que merece sentir-se amado? E que amor merece um cobarde do seu lado?

Deixá-lo ir será sempre a melhor solução. Ele um dia quererá voltar, sempre assim o foi, sempre assim o será, porque o cobarde anda sempre de mãos-dadas com um reles e oco “Desculpa” e quem ama sabe desculpar, é um enorme problema do amor.

O amor não está feito para os fracos. É moldado para aqueles que são capazes de vestir a armadura e ir à “luta” – não é para meninos.

No amor a traição não existe, porque não faz sequer sentido existir. O amor é felicidade, partilha e sorrisos rasgados. Tão bom quanto a água do mar no verão, e tão reconfortante quanto um fim de tarde com um grupo de amigas, daquelas que levamos connosco para todo o lado. No amor qualquer promessa se torna em realidade, porque não há impossíveis – basta acreditar.

A vida é uma eterna aprendizagem nesta montanha-russa de emoções, como pode doer e ser bom? Como pode tirar-nos o folgo e em simultâneo fazer-nos gostar tanto?

Porque é amor.


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