O amor é cruel e tu sabes…

E aí estás tu, com o mesmo olhar que me aprisionou, com aquele sorriso que pensava que era o horizonte, mas que afinal apenas servia de isco para a tua maior presa, foi isso que fui para ti, uma presa.Lançaste mais uma vez a tua rede mesmo sabendo que é ilícito, sempre gostaste de brincar com as regras, e com tudo o resto.

Acho irónico olhar para ti e sentir que és o meu porto seguro quando na verdade,foste a minha maior tempestade. Já olhas-te para trás? Foi lá que me deixas-te, foi lá que fiquei…submersa em mares de controvérsias. Pensava que seria apenas uma fase, que iria lutar e que iria sobreviver, mas na verdade afoguei-me…mas só nesse momento é que realmente me apercebi que te respirava eras uma espécie de oxigénio tóxico que matava lentamente . Na minha morte encontrei a tua.

Sempre esperei por ti, sempre, mas agora decidi voltar ao mar e à areia. Hoje escrevo-te para que saibas que já não és, és apenas um era que nem sequer merece “uma vez” apesar de se encaixar com essa tua infantilidade, dizias que a idade não se media em maturidade convicto que eras um Homem, espero que saibas a esta altura que não existe nada pior do que nos auto enganar. Passado tanto tempo, finalmente tive a coragem para apagar o teu contacto, todas aquelas mensagens que eram relembradas de madrugada, cada foto tua e cada detalhe teu foram apagados de mim… Só fiz questão de manter uma foto tua no recanto do meu espelho, para que possas ver a cada amanhecer e a cada maré a mulher que perdeste, sim, mulher, foi nisso que me tornei desde de ti.

Ironicamente, ainda és tu que me fazes querer continuar.

Ironicamente, já não passas de uma ironia.

Ironia da vida ou talvez do mar.

Voltas-te para remar, Re(a)mas?

O barco afundou-se.

O amor é cruel e tu sabes.