Novos erros, nova vida!!!

Hoje sinto que está na altura de cometer novos erros, novas loucuras. Aprender, apaixonar-me, rir e chorar, viver a vida.

Depois de nos abandonarmos mutuamente, não consigo realmente distinguir quem abandonou mais quem, as nossas vidas seguiram em frente numa fracção de segundos. E que bem que soube. Mas o destino resolveu pregar-nos uma partida e um simples “Desculpa” deu uma reviravolta no tempo e fez com que voltássemos a ser parte da vida um do outro, a que custo, perguntas tu. Muito. Incalculável. Porque não temos mais um futuro juntos. Porque os sentimentos não são mais os mesmos. Porque há uma dependência emocional e física devido ao tempo juntos. Mas já não nos amamos. Tu não sei, mas eu quase que te odeio. Culpo-te pelos teus “não” sentimentos por mim, quando eu própria não os tenho, quando sempre fui uma pessoa emocional e sentimental e uma das que sempre referiu que amor não se obriga. Então porque te obrigo? Porque nos martirizo a ambos. Às vezes tenho a ligeira sensação de me estar a tornar num ser irracional. Mas depois penso, que afinal não é algo tão anormal, apenas me sinto carente, sozinha e abandonada. Já não gosto de ti. Amo-te sim, num sentido não tão de amor divino mas nas pequenas coisas que tu próprio desconheces, mas é já é um amor que não chega. Ele já não enche o meu coração, já não me dá borboletas no estômago e já não me sufoca. Por isso já não é amor de amor. É só amor calculo.

A grande desvantagem é que continuo no mesmo sítio, a ver as mesmas coisas, as mesmas pessoas, os mesmos objectos. Almoço e janto na mesma mesa. Estendo a roupa na mesma varanda. Vejo filmes na mesma televisão sentada no mesmo sofá. Olho para os mesmos peixes no aquário. Durmo na mesma cama e nos mesmos lençóis. Tudo é o mesmo. Ou quase, porque tu não estás cá e sei que no final do dia não vais entrar pela porta a chamar-me “bebé” e a perguntar como foi o meu dia, apesar de falarmos um dia inteiro por mensagens. Sim. É isso que está diferente. A casa está carregada da tua presença e apesar de tudo é disso que sinto falta. E é essa falta que tenho de deixar ir. Deixar entrar um novo ar. Mudar as coisas de sítio, outras novas. Ouvir outras músicas. Falar com outras pessoas. Uma nova vida é essencial. Para mim, para ti e para todos os que se encontrem em situações similares.

Por isso, hoje foi o dia em que decidi mudar. Mais uma vez. Somos seres em constante mudança e é óptimo quando somos e estamos conscientes disso. Carregamos pesos desnecessários durante uma vida inteira. Vamos deixar partir o que nos faz mal. Porque lá está, só faz mal. Se não traz nenhuma melhoria à tua vida diz-lhe adeus de lencinho branco na mão ou com um pontapé no rabo. Não importa a forma. O que importa é fazer. Respira. Mas respira mesmo. Concentra-te. Inspira e agora expira. Tudo isto lentamente. Muitos têm sido os dias em que tive de ignorar mensagens, em que tive de me acalmar a mim própria. Em que não pude deixar-me levar pelo sofrimento, a angústia e pelo que eu pensava ser um coração partido. Não. Tal como disse já não gosto de ti.

Agora preciso realmente de um ar renovado na minha vida. Deixar partir aquilo que não me pertence mas teima em ficar, em moer o meu juízo e em consumir a minha energia. Chegou a hora de te deixar partir. Esta forte presença que assola os meus dias e principalmente as minhas noites. Chegou a altura de dar um novo passo. Endireitar as costas, pintar os lábios, ler livros novos, beber café com pessoas novas, sair e fazer coisas novas. Sim eu já saio sozinha de casa para fazer coisas que seriam impensáveis. Eu vou descontraidamente a um centro comercial sozinha. Eu vou beber o meu cafézinho aviada dos meus livros e dos meus fones. Eu vou ao cinema sozinha. Imaginavas-me a ir ver um filme sozinha?! Não? Eu também não. Até ter sido uma experiência arrebatadora. Ri loucamente e deixei uma lágrima correr. Atendi ao convite dos colegas de trabalho com quem não tinha muita confiança e fui sair. Sim. Eu, fui sair. Já viste? Tantas experiências novas on my own. E agora é hora de mais. Sim é como quando estás de ressaca. No dia seguinte precisas de água a toda a hora. E eu preciso de novidade a toda a hora. Tenho sede. Sim. Porque eu estou a viver uma vida nova, mas por vezes esqueço-me disso e alimento a melancolia com o facto desta tua presença me rondar aqui em casa. Por isso vou afugentá-la e viver.

E agora vou, mas não sem antes te agradecer. Desde que partiste tive tantas boas mudanças na minha vida. Por vezes é que me esqueço. Obrigada por me teres deixado ir. Amo-te mas agora vou amar-me a mim.

P.S.: Pode ser que um dia nos voltemos a encontrar e eu te conte as minhas 1001 aventuras.

PORCatarina Diogo
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