Nota da Madrugada: Não sou nenhuma espécie de super-herói!

"Sou covarde! Eu deveria enfrentar os meus medos, levantar a cabeça, colocar a armadura, erguer a espada para os céus e sair para mostrar ao mundo que estou aqui e que sou capaz… porém, fujo, encaro a triste realidade: não quero lutar, não uso collants, não posso voar, não sou nenhuma espécie de super herói."

Se eu chorar ou me desesperar isso mudará o céu desta noite? E trar-me-á alguma luz?

A chuva não cessa. Escuto trovões a rugir, sinto o meu castelo a ruir, oh Deus compadece-te de mim. Tenho os olhos turvos pelas lágrimas que toda a madrugada derramei, o próprio céu chorou comigo, até este instante as lágrimas dele caem fortes como as minhas.

Tenho o corpo todo arrepiado. Sinto-me sozinha. Sinto falta de algo, mas nem sei bem o que é… As minhas mãos estão trémulas e a caneta vai falhando. Soluço um pouco. Coloco vírgulas porque tenho medo de finais. E então persisto.

O meu coração está acelerado, cada batimento assemelha-se a uma gota das que lá fora caem, pulsa ao ritmo deste temporal e juntos entoam uma melodia que me atemoriza e por isso canto baixinho aquela velha canção que me ensinaram em menina quando queria dormir mas o safado do sono me fugia.

Não sei até que ponto me poderá ajudar, mas enquanto me escuto a mim mesma, menos só me sinto, ou pelo menos nisso tento acreditar, e esqueço por míseros momentos tudo a destruir-se ao meu redor!

Sou covarde! Eu deveria enfrentar os meus medos, levantar a cabeça, colocar a armadura, erguer a espada para os céus e sair para mostrar ao mundo que estou aqui e que sou capaz… porém, fujo, encaro a triste realidade: não quero lutar, não uso collants, não posso voar, não sou nenhuma espécie de super herói.

Tenho medo. E aqui no vácuo destes edredões, enrolo-me como um bebé chorão que chora pelo colo da mãe, e choro.

Choro porque também eu preciso de um colo, bastaria abraçar-te nem que por cinco segundos, apenas para sentir um pouco de amor.

Porque nós só sentimos falta da luz quando o nosso mundo fica escuro. Só sentimos falta do sol quando cai a noite. Só percebemos que um dia estivemos alto quando caímos. Só odiamos a estrada quando sentimos falta de casa. E eu só me lembrei de ti quando o resto do mundo me virou as costas.

Perdoa as minhas falhas e aquece o meu coração nesta madrugada. Acalma lá fora a tempestade e o meu coração cá dentro.

PORLetícia Brito
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