Nós!

Quando o “ela” e “ele” passou a ser a um “nós” só me apeteceu fugir daquele momento, não porque não gostava de ti, mas porque aquela emoção que chamámos de medo invadiu o meu corpo e a minha mente. Lembro-me perfeitamente do dia em que me beijaste e foi nesse dia que aprendi que muitas brincadeiras que tu tinhas eram verdades escondidas que eu nunca quis ouvir. Também foi nesse dia que o medo de ter alguém que gostasse de mim atingiu de forma profunda o meu inconsciente porque inconscientemente aprendi a viver na solidão, mas a ser feliz com isso. Sim, a ser feliz com isso! Porque no meio desta palavra tão assustadora, mas ao mesmo tempo tão precisa encontramos pessoas magníficas e encontras-te a ti mesmo.

Foi na solidão que encontrei as melhores pessoas que poderia ter conhecido, fiz amizades repentinas, mas duradouras feitas de risos e dores partilhadas. Tive a alegria de partilhar momentos, compreender silêncios e entender olhares. Tive o amor sincero de grandes amigos porque quando a amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho e à medida que o tempo passava e quando menos esperava, entraste tu…naquela porta que eu deixei um pouco entreaberta. Não a fechei porque se o fizesse estaria a virar costas a oportunidades únicas, mas não abri completamente porque aprendi a criar defesas para me proteger. Tu sempre soubeste respeitar isso e aos poucos e poucos foste abrindo a porta cada vez mais. Não digo que neste momento esteja completamente aberta, mas a meio ela já está e como costumam dizer “no meio está a virtude” e no meio dela estás tu. Agradeço ter-te conhecido porque acabaste por ser a pessoa certa na altura errada. Digo altura errada porque embora quisesse e te desejasse, não me sentia preparada para dar aquele passo tão importante para começar a haver um “nós”. Não me sentia preparada porque toda eu sou uma máscara carregada de medos…medo de me magoar, medo de te magoar, medo relacionado com a perda de interesse, medo da desilusão ou apenas de uma ilusão, medo de estar apenas a substituir alguém, medo de passados assombrados, medo disto e daquilo. Hoje não posso dizer que esteja livre de todos estes medos, muitos deles estão escondidos ou encobertos, mas aprendi a enfrentá-los porque tudo aquilo que vivemos são lições de vida.

Não tenho medo do futuro, mas tenho medo de ter que encará-lo sem ti porque contigo redescobri o verdadeiro significado da palavra “namorar”. Namorar não é apenas um estado civil que toda a gente gosta de assumir ou que utiliza para tomar posse de alguém. Namorar é gostar de alguém e conseguir lidar com o seu feitio, as suas qualidades, os seus defeitos, a sua forma de estar, é respeitar o seu espaço, os seus sentimentos e pensamentos, é companheirismo, mas, sobretudo, é DEDICAÇÃO! Porque a importância na vida de alguém depende do tempo e da forma como te dedicas a ela. Obrigada por continuares a dedicar-te a mim todos os dias da forma que só nós os dois sabemos como fazes. Obrigada por estares ao meu lado e de me ajudares de forma tão incansável. Obrigada por teres entrado na minha vida, mas principalmente por seres quem és!


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