Nome de código: Liberdade!

Sentada nesta secretária cinzenta, desbotada e velha, com a luz do Sol – vinda da única janela que conheço desde há dois anos – a assumir a forma de vários fragmentos. Pego na caneta lascada e já quase sem tinta e começo a escrever. Escrevo à liberdade, termo que não faz parte da minha existência nem do meu reportório, há dois anos que esta breve divisão: simplória, rasteira e desprovida de sentimentos, é a minha casa e o meu parco conhecimento de liberdade.

Liberdade sem amor. Liberdade sem poder ter qualquer tipo de conceito sobre o que é amar, porque é outro termo do qual estou privada e que tudo fizeram para que não fizesse parte do meu imaginário e do meu vocabulário. Cresci sem saber o que é realmente o amor. O amor de uma família, o amor dos amigos, o amor de uma alma gémea. Infelizmente, a única pessoa que mais me amou, foi aquela que menos o conseguiu demonstrar; para ele: amor era girar tudo à sua volta, era uma vida de sobressaltos e de escravidão. Era levar o amor de alguém por becos sem saída. Liberdade é poder amar.

Liberdade é ter direito a ser criança e a viver a infância. Liberdade é ter direito a brincar e a ter medos. Liberdade é sermos capazes de conseguir sobreviver ao mundo, quando o mundo mostra ser grande demais para nós (pelo menos para mim…)

Liberdade é aceitar o que fomos e o que somos. Liberdade é termos uma palavra a dizer. Liberdade é poder escrever todas as palavras que quiser sem nada me ser imposto. Liberdade é poder sonhar. Liberdade é sorrir de felicidade sem ter um motivo concreto. Liberdade é poder escolher o livro que mais desejo ler, pegar nele como se pegasse no mundo ao colo e sentar-me no meio da natureza sem restrições.

Liberdade é falar e poder dizer o que penso e o que sinto. Liberdade é poder soltar um “Amo-te”, um “Quero-te”, um “Gosto de ti” sem pensar nas acções e nas palavras. É agir por impulso. É sentir. Liberdade é viver intensamente. Liberdade é tentar.

Liberdade é poder-me defender e partilhar os meus pontos de vista e razões. Liberdade é chorar as alegrias, as mágoas e as emoções. Liberdade é poder ter um estilo próprio. Liberdade é tão simples como poder viajar sem qualquer destino, é ser livre para conduzir o meu próprio caminho e seguir a estrada da minha própria vida.
Liberdade é simplesmente ter poder de escolha e opção.

Liberdade é ser uma janela aberta para o mundo. Liberdade é como a natureza no seu estado mais puro. Liberdade é como uma palete de cores.

Liberdade é ganhar ou perder na mesma medida.

Estou desprovida de liberdade, como se fosse uma marioneta em que alguém alheio a mim é que decide o que faço, o que penso e para onde vou. Sinto que o mundo que me rodeia está desprovido de preocupação e sensibilidade: esse é o conceito mais actual de liberdade. Negarmos a própria liberdade.

Liberdade é um dia descobrir que afinal o mundo não se resume apenas a uma simples janela, a quilómetros de distância do chão. Liberdade é sentir que muito em breve aquele portão enferrujado e desprovido de qualquer cor, se irá abrir para me devolver o pedaço de liberdade que me roubou.
Liberdade é ter tempo para contar as estrelas antes de dormir.

Passaram seis meses; escrevo para partilhar que liberdade é também saudade, é reviver momentos e acima de tudo é poder contar os dias e o grande dia chegou para mim. Vou ser livre.

Liberdade é viver e ser feliz. Seja de que maneira for…

PORAna Ribeiro
FONTEEscreviver
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