Nem sei bem por onde hei-de começar…

Nem sei bem por onde hei-de começar…

Sinto-me tão cheia de tudo e de nada. As palavras não saem e sinceramente não sei o que hei-de dizer. Estou tão cansada, exausta, deste jogo. É como estender a mão e simplesmente sentir o vento a tocar-nos e não o puder agarrar. É querer explicar o que sinto e nem isso saber o que significa, ou o que se pode tornar. É ver-te ao longe mas tão desvanecido ainda que a sorrir para mim. É como ter uma pequena parte de ti mas que por vezes me foge sem razão.

Ou sou eu que estou a ficar velha e continuo a acreditar no romance. Aquele. Que nos liga a que horas for só para dizer que sentiu a nossa falta no seu dia, ou apenas para desejar boa noite. No romance não precisávamos de ouvir mil vezes um amo-te para saber que este era real. E neste momento essa palavra parece já tão gasta, tão inútil. Ninguém consegue entender o seu verdadeiro significado. E talvez nem eu.

Sinto falta do não sentir falta mas saber que está lá e sempre vai estar. Agora este sentimento deixa o coração apertado, sem saber bem o que fazer. Confiança? A confiança não é nada nos dias que correm, e mulher que é mulher sabe isso bem. Nós “confiamos”, mas no meio disto tudo… Afinal o que significa confiar?

Parece-me a mim que nos dias de hoje não conseguimos apegar-nos a nada. O medo de sermos os primeiros a mostrar-nos mais “fracos” e sentimentais corre-nos nas veias. E porque? Porque não podemos simplesmente surpreender a pessoa que gostamos à porta de sua casa com um simples abraço e um “não imaginas o quanto eu gosto de ti”. O que tem isto de errado? Na minha opinião, NADA mas nestas ditas “relações modernas” provavelmente a reacção não seria a esperada porque no fim “somos só amigos” e o tempo decide o resto.

Tempo meus amigos? Sempre ouvi dizer que tempo é dinheiro e no fim de tudo acabamos por ficar pobres de tanto esperarmos sentados à espera daquilo que na realidade nunca se preocupou.