Naquele lugar, no momento certo…

A verdadeira lição!

Parecia mais uma ida ao shopping como todas as outras, estava sozinha e com muita inspiração para compras, foi tudo, menos isso… Ouvi gritos depois de estacionar o carro, estavam a espancar alguém, lá próximo.

Enquanto um grandão segurava um rapaz, o outro batia sem parar no coitado! Quando vi nem quis acreditar, o agressor chamava-lhe os piores nomes, estava a ajustar contas, “esta é pelas vezes que olhas-te para ela, esta é por teres falado com ela, esta é por eu ser corno, esta é por a teres tornado como as outras”. Nem parece tão feio assim contado, no entanto não podia nem transcrever todas as calúnias horríveis que ouvi.

Corri para eles, gritei para que parassem, estavam praticamente a mata-lo. O agressor gritou que saísse, mas ainda assim perguntou:

– “Não farias o mesmo se roubassem a tua vida? A minha namorada traiu-me com este nabo, a minha namorada vai para a cama com este banana, que não pode nem com um soco e se fosse contigo? Ias ficar parada tipo tóto e a chorar pelos cantos? Olhei-o nos olhos e respondi:

– “Sabes quem é ele? É o homem que mais me magoou, que me destruiu e que mais me fez chorar, e o mesmo que provavelmente nem me vai agradecer se eu te conseguir a fazer parar, mas nem por um segundo, eu quis que ele ficasse nesse estado, não porque ele não merecesse, mas porque sou muito melhor que qualquer mentira, do que qualquer traição, do que qualquer injúria, do que qualquer lágrima que deixei cair por culpa dele. Eu valho muito mais magoada, do que todo ele inteiro, por isso nunca senti vontade de lhe bater ou de o matar. Devias sentir o mesmo, que vales muito mais que esta traição, que és superior aos dois juntos, que vales muito mais sozinho do que alguma vez próximo dessa mulher! Não lhe batas mais, peço-te! Sei o que sentes melhor do que ninguém, é a dor, é o orgulho, é a cede de vingança, é o querer que ele sinta na pele o que tu estás a sentir, é a revolta, é a raiva, é uma dor que não te cabe no peito e que despejas nos teus pulsos quando lhe bates. Sei o quanto custa e que parece que não passa nunca, mas por favor pára, pára um segundo para pensar, se não és mais do que um covarde que agride pessoas, em condições de não se defenderem! O amigo largou a vítima no chão e disse:

– “Ouve o que ela diz, vamos embora”. Ao que ele responde:

– “Eu vou miúda, eu vou porque depois do que disseste não consigo continuar, devias vir também, cuida de ti e deixa esse traste como está, és uma grande mulher. Espero que não te esqueças que por ti e por mim ele merecia todas as que levou. ”

Baixei-me, apertei-lhe a mão, liguei ao 112 e supliquei ajuda, estava muito maltratado mesmo, torcia-se todo e tinha o rosto a esvair-se em sangue. Perguntou-me:

– “Porque fizeste isto, fiz-te tanto mal, fiz asneiras mais uma vez, aliás faço sempre, porque me salvas-te, porque apareceste neste momento e estas a cuidar de mim? Quando dizia que tinha a certeza que quando precisasse de ti tu estarias sempre lá, não era porque te achava uma fraca ao contrário do que te dizia, mas porque sei que és justa e vales tanto… ”

Estava lavado em lágrimas, disse-me obrigado vezes sem conta enquanto me beijava as mãos. Larguei-o e pedi que parasse, disse-lhe que ia ficar tudo bem enquanto lhe acariciava a testa para o tentar acalmar. Disse que tinha mais desculpas para me pedir do que todas as vezes que já tinha dito que me amava.

Respondi-lhe:

– “Pensei que nunca ia ouvir perdão da tua boca, que nunca ias precisar de mim como um dia quis que precisasses, nunca imaginaria que voltarias a estar frágil e vulnerável nos meus braços…” Quando ouviu a ambulância pediu-me que o acompanhasse, dizendo que ninguém saberia cuidar melhor dele do que eu, que todo o tempo que teria a seguir seria necessário para se desculpar e para me agradecer…

Meio a tremer, meia de lágrima no olho, meia de coração nas mãos respondi:

– “Eu não vou, eu ligo aos teus pais, ligo a quem quiseres para te apoiar e ajudar no que precisares, tudo o resto deixa no passado! Foi lá que eu te quis, foi lá que eu te amei, foi lá que eu chorei, foi lá que eu te perdi, que tu me perdeste, foi lá que tu não cuidas-te do nosso amor, foi lá que tu me mandas-te embora da tua vida…” Perguntou-me apenas:

– “Já não me amas?”. Não consegui responder, olhei para o chão, sabem aquelas lágrimas que caem sem parar, descontroladamente? Os paramédicos chegaram, expliquei o sucedido e pedi que cuidassem bem dele, chamou-me por uma última vez já dentro da ambulância e disse:

– Amo-te, nunca me esqueci de ti! Dei-lhe uns 3 inexplicáveis beijos na bochecha e saí sem olhar para trás…

PORVânia Costa
Partilhar é cuidar!