Ela Não Via, Mas Sentia!

Ela adormecia todas as noites com o barulho da chuva. Cada gota que caía era uma melodia no seu ouvido. Ao acordar os sons da primavera enchiam-na de esperança. Abria a janela para sentir a brisa fresca da manhã. Os raios de sol na sua pele aqueciam-lhe o coração e faziam brilhar a sua alma. Em cada manhã um sorriso no rosto e um agradecimento no peito.

O cheiro do café quentinho e acabado de fazer, invadia-lhe o quarto e com o seu olfato apurado ficava a deliciar-se com aquele aroma. Era hora de levantar e enfrentar um novo dia, um novo desafio. A vida lá fora não era fácil, mas quando se tem força de vontade não há obstáculos que nos impeçam de sonhar.

Em cada lugar que passava, havia uma sensação diferente. Lugares inundados de pessoas, onde se ouvia o som dos seus passos apressados, as vozes agressivas e os suspiros stressados. Lugares calmos onde o sublime toque das folhas na relva era uma doce melodia para os seus ouvidos.

As noites eram passadas à janela, contemplando o manto escuro e infinito céu, embora não visse as estrelas, ela sabia da sua existência e imaginava o seu brilho. Fechava os olhos e aqueles pontinhos brilhantes no céu apareciam no seu pensamento. E no coração guardava um desejo, um sonho bem guardado de ver aquilo que as outras pessoas não davam valor.

Ela era diferente, diferente de mim e diferente de ti. Ela não via, era cega. Mas, apesar de não ver, sentia! Sentia as coisas com o coração e com a alma. Dava valor a cada som, a cada aroma, a cada sensação, a cada toque… E era feliz! Porque as coisas mais importantes não se vêem, sentem-se!

O amor não se vê, a amizade não se vê, a saudade não se vê e a felicidade não se vê… Tudo isto é sentido com o coração.

Ela era feliz, mesmo com a sua incapacidade de não ver o mundo. E tu, não és feliz porquê?