Não te passa pela cabeça (…)

Não te passa pela cabeça o quanto me tens feito falta. Não te passa pela cabeça o valor que tinham aquelas conversas onde estava tudo em jogo, tudo exposto.

Não te passa pela cabeça o quanto sinto falta de libertar tudo o que mexia comigo, tudo o que me despedaçava gradualmente. Não te passa pela cabeça que foste a única pessoa com quem o consegui fazer, com quem consegui expor a mente, a dor, a mágoa, a revolta.

Não te passa pela cabeça o número de vezes em que nos imagino sentados naquele lugar aliviando a carga de pensamentos em palavras proferidas com um abraço sentido de resposta. Não te passa pela cabeça o número de vezes que não sei se receie ou queira cruzar-me contigo. Na verdade, eu quero e receio.

Não te passa pela cabeça o que sinto ao ouvir aquela música, aquela que tinhas inicialmente no teu refúgio. Sabes quantas vezes eu me sentei naquele lugar sozinha, com uma parte de mim à espera de outra mensagem como aquela? De que voltasses? Mas não voltaste, e eu não sei o que te vai pela cabeça quando ouves o meu nome.

Eu não sei o que te passa pela cabeça quando te cruzas comigo. Eu não sei o que te passa pela cabeça e muito menos no coração. Não sei se estou lá presente, não sei se bem lá no fundo ainda existe aquele cantinho para mim.

Não me passa pela cabeça voltar a sentir que não me deixavas para trás, porque na realidade, aquela parte de mim que esperava desapareceu. Aquele refúgio, aquele abraço, aquelas palavras certas. Já não espero por nada disso. Principalmente porque sei que não te passa pela cabeça, o que vagueia na minha.

 

PORAna Sousa
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