Não quis partir…

Olho para o nevoeiro. Não te vejo entre ele.
Dissipas-te no frio que viola o meu corpo. E nada encontro.
Sinto-o. Sinto o nevoeiro a percorrer a minha alma, e a relembrar a vez que te deixei.

(Não quis deixar-te. Nunca.
Nem nunca idealizei a minha vida sem ti.
Já estás tão presente em mim. Em cada batimento que o meu coração dá.
Em cada fechar de olhos que faço. Que grito.)

Quando parti, não o quis. Não quis abandonar-te.
Mas eu estava ferido, protelado. Tu tinhas-me magoado.
E eu pus tanto em jogo por este amo. Eu apostei tudo o que tinha de mim para te ter!

E tu. Tu agora não estás aqui. Deixaste-me.
Pegaste no carro e nem fizeste parar a minha partida.
Eu não quis. Eu nunca quis. Agora… estou aqui sem ti.
“Quem sou eu?”. Não sei.

Vi-te brilhar, a tornares-te inigualável, com imensas conquistas. E eu?
Eu continuo no mesmo sítio. Não desabrochei. Estagnei ao ver-te brilhar.
“Quem sou eu?”, volto a perguntar.
E respostas não encontro. Só lágrimas e solidão.


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