Não precisa estar comigo para me ter!

Amigo: Amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e respeito por outra pessoa.

Só de pensar em não tê-los eu já entro em pânico.

Meu amigo, meus. Não vivemos por todo o tempo juntos e tampouco todo o tempo separados, mas o suficiente para nos tornarmos infinitos enquanto estamos juntos, seja onde for.

Carinho, afeição, demonstração de afeto pode não ser nossa melhor maneira de expor nossos sentimentos quando as brincadeiras, tapas e contradições certamente nos dá melhores lembranças.

Aquela vez que tu bebeu além da conta, que eu tava sem grana ou que tinha que dar aquela reformada na pintura da casa. Quando a gente ia pra todo canto junto e todo canto que a gente fosse virava nosso: nós fazíamos o momento, nós fazíamos o lugar. Fosse em uma balada, um bar, um jogo de futebol, um luau ou uma reunião com os amigos, a festa era a gente.

E os momentos idiotas, sem noção, ridículos SEMPRE serão os melhores. Únicos e só nossos. Coisas que ninguém acredita e que a gente mesmo lembrando hoje, sentimos vergonha!

E vendo tudo isso pode parecer que temos um tipo de contrato, uma necessidade em reciprocidade ou dever mútuo – “só que não”. É tudo tão natural que se perde e se esquece que um dia pessoas falaram em obrigações dentro de uma amizade. Pois se você tem de cobrar algo…não cobre, não vale a pena. Não há cobranças, deveres, não há obrigação de nada – apenas que esteja comigo quando eu chorar.

E que seja pra eu chorar, rir, te bater, xingar quem for e você xingar comigo mesmo nem sabendo o que acontece.

Saudade.

Saudade que me aflige o coração, lembrando de todos os nossos momentos em que éramos um só e já perco as contas de quantas vezes perguntaram se éramos irmãos e respondíamos que sim, de outra mãe…até nossas mães criaram amizade.

Só que a gente se afastou. Pelo barulho da cidade, pela responsabilidade da maioridade, pelo que ” a vida cobra e realmente não dá pra fugir…”. Nossos encontros passaram de um dia inteiro juntos para uma saída no fim de semana e agora sequer uma mensagem trocamos via internet. O engraçado é que a gente mal percebeu isso acontecendo e simplesmente estávamos ali: 15 anos depois da adolescência, te reencontrei.

Eu me casei, tive dois filhos, nunca fui de ficar com tantas mulheres – o que você sempre me forçou a fazer. Você por outro lado, estava como sempre esteve: bonito, elegante, rodeado de mulher, mas sozinho. Estava pálido – depois de 15 anos sem te ver, te reencontrei no seu velório.

E aí é que a gente percebe que podemos passar anos longe dos nossos amigos e o reencontro sempre será o ápice dos sentimentos. Pois não precisa estar comigo para me ter, sempre me teve e percebi ali, olhando pro teu caixão: todo meu coração sempre fora teu. Tudo que eu queria era não ter estado longe quando provavelmente mais precisou, pra segurar tua mão ou pra sentir teu último suspiro. Por isso sinto muito não ter sido o amigo presente e ter estado contigo nesse momento, mas saiba que vamos fazer a festa quando eu me for também.

Amigo, eu te amo.

PORVictor Brandão
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