Não namorável… O mundo medido em likes

Somos invisíveis num mundo real que é baseado no virtual, cheio de status. Nessa nova realidade as pessoas não vão te querer por que você mora longe, por que não gostam da sua cor de cabelo, ou ainda, por que você não tem fotos no exterior.

Atualmente acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer um esforço mínimo para conhecer realmente alguém, já que tudo é medido em likes, e perder tempo conversando ao vivo não é tão interessante quando você pode abrir um cardápio virtual de fotos e gostos em comum. Você não precisa trocar uma palavra com o seu próximo “aperitivo” para saber se ele é do seu agrado. Não é difícil passar por um grupo de pessoas como um ser invisível dentro de um bar, pois eles estão ocupados demais para ver quem está no raio de 1km do tinder. Não me entenda mal, eu também usei e uso os aplicativos, alias, tenho um apego visceral com o meu celular, mas o orgânico ainda me encanta mais. E no final das contas, chego a conclusão que justo por isso eu sou não namorável, por que não me importo com nenhum desse status citados acima.
Calma, eu explico…

Não me importa quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente valer a pena. Não me importo se terei que atravessar cidades para vê-la quando eu estiver saudades. E definitivamente, não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos Stones por que é importante para ela, ainda que eu deteste a banda, por que eu sou assim, e se antes isso era justo o que procurávamos em alguém, hoje em dia é exatamente ao contrario, somos considerados “Não namoráveis” por manter o coração e a mente aberta, por querer o real acima do virtual. A versão repaginada dos bobos da corte, pois dispensamos o Buffet de pessoas que transbordam nos aplicativos. Essas mesmas pessoas que na hora do “vamos ver” têm conteúdo nulo, porque a regra do primeiro encontro “as cegas” é justamente NÃO abordar assuntos relevantes, NÃO falar sobre tragédias, política e religião, afinal queridinha, ninguém quer saber realmente a sua opinião, seu rostinho bonitinho basta.

Dane-se se você é não é homofônica, gosta de animais ou reza todas as noites pelas crianças da África, contanto que role a química de não ter química tudo bem, porque daí ele pode simplesmente dizer que “não foi dessa vez” e (in)felizmente a saga de pubs, danceterias, motéis e restaurantes precisa continuar, um guerreiro de verdade não pode se dar por vencido.
É… Pensando bem, não quero ser uma eterna desconfiada da fidelidade infiel que o whatsapp proporciona, ou ainda, ter orgulho de ser apegada ao desapego no melhor estilo Wesley safadão: “namorando todo mundo”.


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