Se não fores tu, não é ninguém!

Perdoa-me a fraqueza e a franqueza, mas eu não funciono sem ti. Literalmente. Nem consigo sequer escrever. É simples, sabes? Contigo dá certo, sem ti não sai nada, nada que preste pelo menos.

Porque quando sorris eu tenho um motivo para respirar fundo, sentar-me na secretária e escrever algumas linhas sobre algo feliz. Porque cada gesto teu é motivo para uma vírgula a mais e os parágrafos tornam-se intermináveis, tornam-se cheios de sentimento, de sentido. Sem ti eles são vazios, são apenas… Um amontoado de letras, nada mais.

Dizem que os escritores devem encontrar a inspiração em tudo, e que quando é trabalho a inspiração nem conta, mas por vezes não funciona assim e deixa-me que te revele um segredo: comigo isso não acontece. Se eu não estiver num dia bom nem tento e se eu não te tiver por perto é pior ainda. No fim eu sou só um amontado de papéis amassados e chávenas de café vazias enquanto tento não colidir comigo mesma e chorar, porque quando faltas tu, falta-me todo o resto.

Lembras-te daquele beijo apaixonado que me deste no outro dia? Da forma como me agarraste e me fizeste sentir como se tudo o que vivemos ainda vivesse em nós depois de tanto tempo? Não imaginas, mas aquele momento foi crucial: saíram linhas absurdamente cheias de tudo o que eu já fiz de melhor até hoje e não tens noção do bem que me fazes só com um “bom dia”. É a energia que tu me transmites. Ver os teus olhos e o brilho que eles contêm. O teu cabelo. O sinal sobre o teu lábio. Os teus braços tatuados a apertarem-me a cintura. A forma como os teus olhos enrugam quando sorris. As covinhas que se formam no teu rosto quando dás aquela gargalhada. A tua gargalhada é melodia. Deveria tocar nas rádios todo o dia. Bom, é isso, quem me inspira és tu. Não me adianta procurar inspiração no mundo lá fora. Se não fores tu, não é ninguém!