Não existem palavras correctas

Quando não estás bem, não existem palavras corretas. Devias querer um corpo descoberto mas a boca bem tapada. Nada melhor do que falares com o corpo e a tua boca ser um túmulo. O que ninguém sabe ninguém estraga e o que não queres que se saiba pode continuar protegido. Querias falar. Não te calaste.

Palavras corretas com atitudes incorrectas dá uma mistura de merda. Mas se quando não estás bem as palavras não saem corretas então está tudo mal. Então tu estás mal. Então tudo à tua volta se vai tornar um desastre. Andas porque sim, sais porque sim, vives porque sim, mas não te iludes. E tantos gostariam de ter a capacidade de prever e saltar a ilusões. Quem diria que até fotografias te podem iludir.

O corpo descoberto deveria ser o teu bem mais precioso, a coisa mais valiosa que contens, e só to podem tirar se tu deixares. O que dois não querem um não faz. Então foi chegar e aparecer, chegas e pronto. Perguntas-te quem és. Tens mil motivos para te censurar mas afinal se a cabeça flutua porquê racionalizar e ser mais alguém mal no mundo, és aquilo que és, fazes aquilo que queres, entendas ou não. Nem tudo tem um entendimento, há momentos que são apenas aquilo e nada mais, momentos. Então sorri, nada melhor do que sorrir. Não vale de nada pensar na vida, lixar mais uma madrugada a pensar e repensar. Se estás erguido na vitória então estás também no fracasso. Fracassaste não foi? Segue em frente e não vaciles. Dos fracos não reza a história e a história da tua vida há de dar tanta volta que ao fim ao cabo vais-te encontrar tonto. Alarga as tuas passadas, alarga a tua mentalidade. Sempre soubeste que regras são para ser quebradas e que nada é errado se te faz feliz.

A falta de hábito para entender atitudes, compreender estados de espírito e pacificar-te a ti próprio sem alguém por perto cujo habito seja esse mesmo que tu não tens, para te explicar, é complicado. Levas a vida de tal forma, chega alguém e muda-te o esquema, e tu não entendes mas também não tens de entender. Tomara que fosse apenas uma pessoa a dar lentamente cabo de ti. Quando há mais que uma pessoa que te dá pequenos choques de adrenalina, de lucidez ou do que lhe queiras chamar, estás na merda novamente. As acções revelam palavras corretas que não conseguem ser ditas. E que raio de palavras conseguem ser corretas quando estamos a tratar de assuntos do coração? Do coração não… Do coração, da cabeça, da mente, da boca, da língua, da saliva, das mãos, do toque, da agressividade, da aventura, do mistério, da pernas, dos músculos, de tudo. Assuntos que causam impacto em qualquer vida, por mais insignificante que essa vida seja, porque afinal o que és sem ser apenas um animal cujo objectivo é estar com outros demais animais? A diferença que tens para os bichos é que pensas e é precisamente essa diferença que nos torna piores.

Se não pensasses tudo era mais fácil. Se não pensasses não havia arrependimento na tua vida, não havia quaisquer sentimentos de culpa, de desilusão ou de saudade. Racionalizar traz problemas, duvidas, inquietação, medos, descriminação, juízos de valor, julgamentos mal formados e principalmente dor. De julgamentos mal formados e juízos de valor sem nexo está o mundo cheio, a transbordar. As tuas atitudes são julgadas e recriminadas, a tua forma de pensar é posta à prova diariamente e cabe-te a ti decidir se és comido vivo pelo mundo onde vives, ou não. Ainda assim, cais na mesma asneira de julgar quem está à tua volta. Caímos todos. Mas por vezes estamos tão certos…

Afinal consegues perceber o que se passa ao teu redor? Tudo está estandardizado. Olhas à volta e não vês ninguém diferente, ninguém invulgar. Tu segues mas segues em vão. Queres ver para crer ou crês sem visão. Mais vale libertares-te do pensamento que levas, esse pensamento deque vais ser julgado se fizeres apenas o que te apetecer (e vais). A vida são dois dias. Um perdes a foder a cabeça e outro perdes a foder alguém. Foder, nada mais que isso. Não há palavras corretas quando sexo é a única coisa em comum na maioria das pessoas. Tu percebeste que o amor nos dias que correm está escasso. Percebeste mas não pensas assim… Pensas que vais casar, formar família… E até podes. Mas arrisca. Afinal de contas as lembranças e a preciosa bagagem psicológica que transportas, vão andar sempre atrás de ti. Lá por águas passadas não moverem moinhos, o passado persegue-te, sempre e sempre. Tens histórias boas e histórias más, umas que marcam outras que nem tu vais perceber porque lá estão. As memórias vão fazer-te reviver aventuras e vais reparar no que mudou. E deve ter mudado tanta coisa. Se não tiveres o que recordar um dia, então a tua bagagem estará vazia… Mas cheia também não pode ir, nesta vida tudo tem um limite. Até a bagagem que podes passear contigo.

Sabes o que vales, pode não ser muito mas é mais que os outros e é somente assim que tens de pensar. Primeiro tu, depois quem vier. Tu não tens que, mas podes se. Nós não temos que, mas podemos se.

E toque-toque. Estás pior. Vives pior e usas palavras incorrectas para justificar a tua descida. Acabaste com a estabilidade que tinhas. Babas com o feedback que recebes, és o centro das atenções, com olhares vindos de todos os lados. Tens os dias preenchidos. Andas na lua e partes o pescoço às pessoas,  por quem passas. Mas a vida é um duelo constante. Porque só sentes as páginas das histórias que não têm qualquer glória, que sabem ao calor de verão, ás ondas do mar salgadas mas que no final do dia são rasgadas, não valem nada e sim, em que foste um brinquedo  no meio da multidão, ou na tua pequena solidão?!

Tu és tu mas como qualquer pessoa que viva por aqui, pela Terra, escondes-te do que tens por perto para evitar comentários presos aos bolsos das calças de toda a gente. Fazes o que fazes para não te recordares a ti mesmo de que o que queres não é o que fazes mas sim o que não podes fazer. Ou o que fazes mas com alterações de manobra. Realmente na sociedade em que te encontras não podes ir muito além das barreiras que se definiram, sabe-se lá onde, quando e como.

Focaliza-te. Não raciocines. Nem entregues o coração. Se entregas o coração tu vais querer e não poder. Vais dizer sim e ouvir não, vais dizer não e ouvir sim. E ela diz que não dá, e ele diz que não dá, e nada dá. Ninguém é de ferro, se insistes em erros não vais melhorar. Querem mais que amizades, os olhos mostram isso mas não dá. E vacilas. Se tudo não passar de diversão vocês vão dizer sim e não, ao mesmo tempo. Todos os abraços saberão bem e tudo vai dar. Bilhetes de ida e volta ou só de ida. Se o bilhete é só de ida então que seja mas que seja uma ida silenciosa. Por vezes tentas manter alguém por perto mas a vida intromete-se pelo meio, queres olhar a pessoa nos olhos, parar uns minutos e ficar apenas ali. Mas a vida intromete-se pelo meio… E encarrega-se de mudar os ventos pelos quais eras conduzido.

Não há palavras corretas para determinadas situações. Não há invenções suficientes para que o sol no céu não pare de brilhar. Nem tu queres que pare de brilhar. Fica com a boca bem tapada e tapa o corpo também. O tempo escasseia e tu não tens mais nada do que a própria vida, o próprio corpo, a própria mente… E o tempo, que corre, ou voa. Tempo que não dominas e jamais dominarás. Bastará um copo de vinho em demasia para que o controlo seja ainda menos do que o que existe, que é nenhum. Queres ter tudo nas mãos mas compreende que é impossível, impensável até. Que vida é essa que não é verídica, de todo, em lado algum, vida com tudo sob controlo?!

Precisas de achar as palavras corretas. Precisas de ir embora e mudar de ares.  Admite que precisas de novas caras, por muito que tas apareçam. Passa o verão, chega o inverno, retomas ao verão e o que mudou?! Sem amor nada muda. Sem objetivos concretizados, sem saires da toca, nada muda. E não é por dizeres ou ouvires palavras corretas que ficas melhor.

Afinal de contas, não leste nada mais que pelo menos 10 anos da tua vida e da vida de todos nós, que se passaram assim porque já és adulto ou que vão passar porque a tua adolescência ainda não chegou aqui. Sabes que a veracidade dos factos é credível e por poucas palavras que uses, vão ser sempre as erradas, por muito que penses não vai dar. Há coisas que não podem ir além. 

O tempo escasseia, não te limites a nada mas não te transgridas para o tudo. Palavras corretas só escritas num dicionário e mesmo assim, esse falha, basta mudar um acordo. Não existem palavras corretas para nada. Nunca vais saber o que dizer quando mais precisares e vais acabar sempre por estragar tudo.

PORMarta, Alentejo
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