Não é verdade que…

Não é verdade que te perdi. Não acredito. Não é possível que tenha ficado sem ti e que te tenha deixado partir para sempre, sem um último adeus. Uma despedida digna, que me reconfortasse o corpo, a alma e o coração. Um volto já, um até breve, algo que me dissesse que irás voltar um dia, que nos iremos voltar a ver e a tocar, como tanto quero e desejo. Como tanto desejamos, os dois. Foi triste, dura e fria a nossa separação.

No banco daquela sala de embarque ficou o último abraço, o último beijo, o último olhar, o último toque, as nossas lágrimas, o nosso amor. Perderam-se as palavras, o que queríamos realmente dizer um ao outro, os sorrisos, a felicidade inexplicável, o sentido da vida. Os planos a dois, os sonhos a conquistar e os objetivos a realizar. Silenciei-me de ti.

Aqui, no nosso jardim das Camélias, a minha flor favorita, quantos e quantos ramos de doces camélias me ofereceste, boas recordações que deixaste e que sabe sempre bem lembrar. Olho a imensidão do céu limpo e de um azul que me faz pensar sempre em ti, que me acalma e que ao mesmo tempo me desassossega. Era assim que gostavas de olhar para ele, comigo a teu lado.

Sentada debaixo daquele sobreiro antigo e gigante, no cerne do jardim, no pouco que resta, da tua frescura, sinto o vazio em mim. A dor da tua ausência que trespassa o meu peito, atravessa o meu coração e me dilacera por completo. Ainda ouço a tua voz ao sabor do vento, o teu perfume no aroma das flores que me rodeia, o contorno dos teus braços e do teu corpo a balançarem em mim. Aquele teu sorriso de cavalheiro conquistador, tão doce e meigo, o sabor dos teus lábios como terra acabada de humedecer. Que saudades, eu tenho de ti…

Sabes, uma folha de papel velha e amachucada acaba de vir ao meu encontro, trazida pelo vento.

Abri-a e no interior podia ler-se:

Voltarei para ti!

Sorrio. É a tua presença. Quem sabe, talvez, um simples sinal teu que por breves instantes me devolve à vida. Acordo. E encontro-te ao meu lado, a sorrir para mim. Afinal de contas, não passou de um sonho mau. Não é verdade que…


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