Montra humana!

Quem nunca pensou em comprar um carro? Uma moto? Um computador? Um tablet? Aposto que 99,9% dos que vão ler este texto já pensou nisso. Se ainda não pensou, irá pensar! O ponto em que quero focar aqui é que quando desejamos comprar alguma coisa mais ‘’complexa’’, como eletrónicos, na maioria das vezes fazemos uma pesquisa de campo.

Visitamos sites de venda online para ver as características, procuramos fóruns de discussão sobre o determinado produto para vermos os prós e contras, perguntamos a amigos e conhecidos se tem alguma experiência com a tal coisa que queremos. E por ai continuamos a nossa pesquisa, chegamos até a comparar as várias marcas existentes no mercado, cada uma com os seus diversos modelos.

Concluímos quase sempre com uma visita à loja física para fazer um ‘’test drive’’. Como quase sempre os artigos estão expostos para o cliente experimentar, e sem pagar mais por isso, é o que temos tendência a fazer.

Com a globalização a nossa querida humanidade também teve que adaptar-se aos novos ritmos, e com isso a maioria de nós está tão exposto que mais parecemos uma montra humana.

Com apenas um nome, e às vezes uma localização, temos acesso ao perfil de quem quisermos, quer tenhamos visto essa pessoa uma vez, ou apenas ouvimos falar dela numa roda de amigos… depois de ter o perfil nas ‘’mãos’’ é fácil descobrir os seus interesses, programas de TV, filmes que já viu, jogos que joga, livros que leu, lugares onde teve, de quem tem relações próximas, ou muito próximas, conseguimos também ver o pai, a mãe, os primos, irmãs, onde estudou, onde trabalha, data de nascimento, se tem gato, papagaio, hamster… E apenas por ai avaliamo-nos uns aos outros.

E se isso não chega ainda temos as famosas apps nos smartphones que realmente parece um catálogo de solteiros – deixa-me corrigir – …um catálogo de pessoas ‘’disponíveis no mercado’’. Funcionam da maneira mais rápida e acessível para todos, crias o teu perfil, procuras num círculo de 50km todas as pessoas que estão à tua volta, de X anos a Z anos, se queres ver homens ou mulheres… e lá aparecem as fotinhas todas enfileiradas, onde só tens duas opções: GOSTO / NÃO GOSTO…

Tão simples, só está sozinho quem quer!

Mas agora é que chega a ‘’pior’’ parte (pelo menos para mim), finalmente consegues uma oportunidade de conversa com a pessoa… e o que irás perguntar? Se já sabes todos os detalhes da vida dela, sabes até que tem uma marca de nascença na parte interior da coxa (está lá nas fotos da praia!!!).

Virtualmente já decidimos quem queremos e quem não queremos, por mais que sejam só ‘’aparências’’ a facilidade do ‘’test drive’’ é tanta que nem procuramos muito. E caso tivemos a sorte de gostar da experiencia tentamos mais algumas vezes, se não gostamos… que venha o próximo ‘’produto’’.

Sim, perdemos a essência do mistério e o despertar a curiosidade, estamos fúteis e superficiais, e sim também me incluo nessa, porque também tenho muitas dessas atitudes ai escritas… mas prometo parar de ser uma stalker compulsiva, prometo ir descobrindo as pessoas conforme mostrem-me o que querem que eu conheça, prometo não avalia-las apenas com fotos e meia dúzia de palavras.

Assim como eu, as pessoas, têm sonhos, e segredos que não expõem por ai… e ultimamente apenas temos preguiça de descobrir isso…