Mininim!

Mininim quer brincar, mas
não tem brinquedo.
Mininim quer dormir, mas
acorda cedo.
Mininim quer estudar, mas
não tem escola.
Mininim quer sorrir, mas
não tá na hora.

Passa na porta do salão
com o rosto assustado
vendo outro mundo pela janela
e no próprio ônibus sendo largado,
deixado de lado
Mininim mais uma vez humilhado.

Mininim não tem vergonha de fazer careta
nem sabe ainda o quanto diz a sua pele preta.
Mas guarda Mininim num olhar brilhante
a pureza de uma vida que sonha distante.

Mininim só quer ser criança,
entrar na roda de dança
e feliz a pular, e feliz assim
ver alguem nessa roda
aplaudir Mininim.

Se pra Mininim o mundo nega
pra alguém, vai além e oferece.
Vai ter boca cheia de certeza
pra dizer que Mininim merece essa vida
aos seus cinco ou seis anos de história sofrida
com sua vontade de pular pela janela
pra ver que vida feliz é aquela
que não chega onde Mininim sobrevive
que vida feliz é vivida longe de uma favela.


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