Sê minha hoje, meu amor!

Não percebo nada de ti. Nem de nós, que só existimos de vez em quando. Nem sobre o amor que não deve passar de uma catástrofe. O amor é uma catástrofe: vem inesperadamente, destrói, traz mudanças e deixa marcas. O amor passa entre nós, destrói-nos, mas acho que é disso que gostamos. És uma catástrofe tão grande. E no fim: tu vais, eu fico, tu voltas, eu ainda estou lá, partes novamente,  mas ainda voltas, e eu continuo lá, morto por ti, meu dilúvio. Eu sem ti, sou o fim do mundo. Não sabes o quanto eu preciso de ti agora, meu tornado. Múltiplas figuras divinas. Na mitologia, tu serias Marte, eu seria Vénus. Amar-te-ei.

Não sei nada de ti. Prefiro-o a saber tudo. Não me mostres tudo.
Eu sei, tu não és tu, sem mim. Eu sou ninguém, sem ti. Nunca saberemos tudo um sobre o outro, sem antes reconhecer que este amor é uma descoberta sem fim.

O céu é teu, o céu és tu, a terra também, eu serei o ar perdido, um sopro de vida à procura de nada. Sem ti , sou nada. Senti.

Não sei quem és, quem somos, nem sequer quando é que o somos. Devemos de ser somente esta aflição em ser algo. Sufoca-me tudo isto, sufoca-me o teu beijo, mata-me a tua ausência, trai-me a tua beleza. És tão bela para ser deste mundo. Deste mundo e de outros. O universo inteiro pertence-te. Pertenço-te em todo o universo.

Nunca saberei nada sobre ti, mas sê minha hoje, meu amor.