É A Minha Alma Que Desejas!

"Sei que uma hora dessas precisarei voltar as costas e colocar termo a esta situação, mas como ainda ontem lhe disse: Não importa quantos corpos levas para a cama se é a minha alma que desejas."

Tudo começou há cinco anos, ele era o meu melhor amigo, mas apaixonou-se e eu tentei afastá-lo. Não queria colocar na mesa a nossa amizade e deixa lá ao Deus-dará, mas ele amava-me e quando nós amámos alguém nós fazemos até o impossível se for preciso para que esse alguém fique connosco.

Assim ele o fez. Admiro-o pela luta constante pelo meu coração, admiro-o pela força que o caracteriza e que não o deixou desistir do sentimento que tinha por mim; amor.

Em meio às noitadas, às trocas de mensagens, eu senti o meu coração palpitar diferente de outrora, e quando ele me ligava de madrugada, não era apenas um desabafo do meu melhor amigo que eu iria ouvir, era a voz daquele que se tornara o amor da minha vida. Demos o passo em frente porque amar é isso; arriscar. E ainda que houvesse muito em jogo, a força do amor prevalecia sobre tudo.

Mas com o tempo vieram as brigas idiotas, os ciúmes sem sentido, as palavras dolorosas e o fim da relação. Sinto que a culpada fui eu que deveria ter depositado mais amor, ou talvez o amor não fosse o suficiente, às vezes não é. Às vezes amar não chega.

A relação acabou. Mas a amizade ficou, para bem dos meus males. Eu tinha tanto medo de ver aquilo que nós construímos ser destruído, mas ele não deixou e juntos conseguimos enfrentar os acasos e fazer valer o que ainda nos unia.

Cinco anos se passaram e nós continuamos juntos, mas não juntos como os amigos, nem como os amantes apaixonados. Apenas juntos. Ele procura-me quando vem a saudade. Eu procuro-o quando preciso do seu abraço.

Sempre fui a favor da amizade e sempre senti que o que tínhamos era saudável. Não precisávamos nos justificarmos sobre as horas tardias a que chegávamos a casa depois de uma noite a dançar, não precisávamos discutir nem nos proibir das de mais coisas das relações, porque éramos livres.

Foi então que eu descobri, não sou mais a única. Existem outras, muitas. Embora ele me jure a pés juntos que o que sente por mim é o amor mais forte do mundo e que elas são apenas outras. Tento afastar-me para não me magoar, mas tudo o que tenho feito é em vão, magoamos-nos mutuamente e frequentemente.

Não tenho como fugir dele, nem deste sentimento. Abro a porta de casa e do outro lado da rua lá está ele a abrir a dele, vou para a escola tentar espairecer e na mesa ao lado, lá está ele. Não posso evitá-lo.

É por isso que quando ele chega de mansinho, eu sempre cedo. Sinto-me revoltada, sinto-me usada, sinto-me mal comigo mesma, mas amo-o e a verdade é que alguns amores levam-nos à ruína, não é que eu seja fraca, mas o amor que tenho por ele, em nada me fortalece.

Quando ele chega de mansinho, sempre penso que poderá ser o último abraço, o último beijo, e não o quero deixar ir, mas sei que preciso fugir.

Sei que uma hora dessas precisarei voltar as costas e colocar termo a esta situação, mas como ainda ontem lhe disse: Não importa quantos corpos levas para a cama se é a minha alma que desejas.

PORLetícia Brito
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