Mesmo sem brilhar, marca

Encontro-te com tanta frequência que muitas vezes nem o meu pensamento te acompanha.
Estás ali, mesmo sem estares. Tenho saudades de não te sentir em mim.
Saudades de não te conhecer. Mas repara é entre mil e uma palavra, entre mil e uma frase que te encontro de novo.

És quase tão inevitável como o frio do inverno, como o sol radioso e intenso do verão, ou até mesmo como as folhas caídas do Outono.

As árvores são como os sentimentos, folhas desnecessárias caiem para que as novas nasçam,  mais saudáveis mais verdes, intensas.
E as caídas um dia serão arrastadas pelo vento, ou por uma vassoura.

Mas que importa isso?
O que interessa é que elas se afastam.
E são tantas as folhas que nós vamos perdendo, algumas caem, outras apodrecem.
Tu foste a folha mais verde, aquela folha que nunca pensei perder, aquela que prometia nunca cair, nunca apodrecer, nunca magoar.
Odeio ter de te comparar a uma bonita folha de Outono, contudo é inevitável não o fazer, no primeiro vendaval, foste a primeira folha a cair, e a ultima que o vento levou. Permanecias ali caído, tão longe e tão perto.
Se te contar um segredo fica só entre nós?
Nunca imaginei que uma folha caída, castanha, sem brilho deixasse tanta marca no chão.

PORSara Martins
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