Mendigo…

Olá, não sei se me conheces, provavelmente não, se me conheces então é porque não.
Eu passo a explicar, eu mudo, todos mudamos, mudamos constantemente com os momentos que passam, com aquilo que vivemos, com aquilo que achamos estar a aprender. Temos a mania de que somos um ser inteligente, um ser constantemente em desenvolvimento e sempre me disseram que se aprende com os erros, passo então a explicar outra vez, é a segunda vez que te vou explicar porque errei à primeira mas tu também erraste, ou vais dizer que não lês-te o que eu li?

Passo então a explicar (à terceira é de vez): o ser humano não é um ser inteligente, é um ser que se acha, achamos que podemos ser quem quisermos, que podemos ser tudo, mas não, a única coisa que cada um de nós pode ser é um mendigo de amor. Somos todos mendigos de amor, uns mais fiéis, outros menos fiéis e talvez até alguns infiéis e todos eles procuram apenas uma coisa, procuram ser a pessoa mais inteligente do mundo.

Passo então a explicar (à quarta é de vez): eu erro, e porquê que erro? Erro porque gosto de errar, dizem que é com os erros que se aprende, então eu erro para ver se aprendo alguma coisa decente.

Alguma vez já pensaram? E se eu parasse de errar? Será que os erros vão parar?
Eu pensei e pensei também, os erros não param, o erro aqui sou eu!
Por um lado, eu não queria ser o erro, porque ninguém gosta de erros e há muito ser que não consegue ser decente comigo só por eu ser um erro. Pelo outro, eu sou erro! Eu ensino-te tudo aquilo que eu sei e não paro porque sou erro constante.

Passo então a explicar (à quinta é de vez): sou mendigo, não tenho casa, sou sem abrigo, provavelmente aparentemente e pelas aparências até posso não ser, mas no interior, acredita em mim, não tenho onde ficar. Eu procuro, eu vagueio, e não me importo, porque sou mendigo de amor, e quem é que se importa de ser mendigo de amor, todos menos eu? Eu procuro, eu vagueio, mas ninguém me quer encontrar, sempre que eu apareço, só vêm o erro em mim e o erro já nem sequer em mim está, eu apareci mas quem foi embora?

Passo então a explicar que te explicava isto de uma vez só, mas para tu veres que cometemos os mesmos erros dividi as minhas explicações, agora vais ter de ser tu a juntar as cinco partes, porque eu errei, mas pelo menos dividi a dor por nós dois.

   Passo então a explicar que tudo o que tu precisas é de errar comigo…
   Não tenhas medo de errar!

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