Memória viva da essência do amor…

Foste o meu último suspiro e a minha réstia de esperança no amor. Dei-te de mim transparência e verdade. Te mostrei a minha essência escondida e o meu espírito enterrado. Permiti que chegasses ao meu coração, a lugares que até de mim fechei. Tiveste-me somente a mim, sem capas ou armaduras, sem meias verdades ou leves encobrimentos, sem pudor nem receios. Viste-me na mais pura fragilidade do meu ser, ignorando toda a razão, guiando-me pelo amor. Fui tao completamente tua como sou minha. Não, fui mais tua do que minha. Nada deixei de lado, nada tive forças para ocultar. Sempre fui eu. Um “eu” que conheci na sua plenitude ao me dar. Dar a esse amor que a ausência só intensificou e que a saudade o tornará eterno.

E tu… Tu também foste meu, a mim entregaste teu amor. Deste-me o teu tempo, a tua paciência e um sem fim de sorrisos. Tantos sorrisos… Um sorriso maroto quando tiravas por mim, só porque dizias que eu ficava linda brava. E aquele sorriso logo pela manhã ao acordar iluminava meu dia. Deste-me verdade pura. Amor sincero, paixão ardente. Deixaste em mim vontade de sorrir, de viver, de amar. Te amar. Deste quem foste, ou melhor, quem és. Para mim serás sempre presente, mesmo nas memórias passadas.

Sabes, tenho tantas saudades nossas. Dos nossos abraços, silêncios longos à beira mar. Dos olhares em frente à lareira, cheios de sinceridade. Dos beijos longos, dos beijos roubados e daqueles que acabavam qualquer discussão. Tenho saudades da tua pele, desse cheiro que ainda sinto. Dos nossos corpos colados, suados. Voz ofegante, corpos cansados, almas em paz.

Tu e eu nunca existiu. Nunca soubemos ser dois em um, mas sempre fomos um em dois. Hoje sou somente “eu”, mas nota, nada mudou. Sou “nós” em que falta a metade que a tua partida levou, falta o nosso futuro. A vida te levou o corpo, mas a alma em mim ficou. Não é somente memória lembrada, é memória viva e presente.

Como disseste na tua despedida: “nunca te preocupes, não morrerei enquanto o nosso amor em ti guardares”.

PORAna Lobo
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