Melodia

Já não sei quem perdeu quem; já não sei quem és tu ou quem fui eu. Sei que olho para ti, mas não me pareces o mesmo. Olhas de volta, e eu sei que os teus olhos não me mentem. Voas para longe, vagueias para outro Ser! Suspiro baixo enquanto te olho uma última vez…

Estavas curvo, sentavas-te naquela Duna, nú sem pudor, máscaras ou artimanhas Sentaste-te como vieste ao mundo, despindo-te em cada palavra que me dizias. E mesmo assim, foi insuficiente. O nosso rosto estava em sintonia, apático. No fundo, ambos tínhamos entendido a loucura que cometemos, ao deixar que outro Ser, diferente, nos conhecesse. Todavia, ninguém nos pode condenar, afinal todos cometemos erros!

Eu sei que tentamos que tudo não passasse de uma velha memória, e quando estou contigo gritas como se não houvesse mais ninguém. Mas, diz-me quando foi a última vez que pensaste em mim? Enquanto falas eu perco-me no tempo, tentando relembrar o teu rosto. O rosto pelo qual me deixei apaixonar sem saber o que significaria o amor! Sem sequer acreditar que uma palavra tão pequena e usada, se aplicaria naquilo que gigante se ia formando dentro de mim! Meu deus, quando foi a última vez que falamos em AMOR?

Não sabes que este “silêncio”, esta ausência de respostas me mata lentamente? Quem quer ser tua amiga, quem quer ser metade, quando já foi tudo? Não entendes, que eu sei que não há “para sempre” sem fim. E devia chegar para não esperar nada mais, para entender porque agora olhas para mim, mas eu já não te sinto aqui. Gostava de ter aplicado os meus conselhos mais cedo, gostava que não tivesse tanto medo do vazio que ia ficar depois de ti. E tivesse pensado, antes, em tudo o que ainda tinha para viver…

Engraçada a ironia do destino… A nossa primeira música está a passar. E sabes o que me despertou a mente? Não foi a letra, até porque eu já adivinhava o desfecho disto, mas antes a tua voz trémula no meu ouvido: “ Não estragues a música”. E tontos, lá continuávamos a dançar, sem noção do espaço ou dos passos. Sem embargo, se ires faz com que esclareças a tua mente, vai. E se voltares que seja com garra para lutares. Mas, sabe uma coisa antes, meu amor: A vida corre e gira e os meus dias glória haverão de me beijar!

Por fim, as personagens estavam cruzadas, o guião era bom e quis o Destino torná-lo ideal. O cenário transbordava interesse, paixão e classicismo. Estava tudo pronto para gravar, mas o momento ainda não era aquele.