Melancolia do Adeus

Tudo parecia ser mais um dia normal. Um dia banal como tantos outros. No meu íntimo sabia que existia a antítese entre o que observava e o que pressentia, tentei ignorar, levantei-me e segui com a mesma algazarra de todas as manhãs. Não entendi o porque da minha extrema necessidade em vestir roupas com cores alegres, mas como não sou de ficar a pensar nas coisas vesti-me, e não dei importância a esses estranhos acontecimentos – não deve ser nada – pensei para mim – ando a ver demasiados filmes – tentei novamente confortar o corpo que teimava ficar alerta e desconfiado de tudo aquilo que me rodeia.

Entrei no comboio como faço todas as manhãs. Mais uma vez o momento não me pareceu correto, todas as gargalhadas dos dias anteriores estão como que presas dentro de jaulas, não consigo ver alegria em lado nenhum. De repente sinto todos os olhos postos em mim, envergonhado olho para mim mesmo através do meu reflexo no vidro – está tudo normal comigo, por que razões me olham assim? – Desviei os meus pensamentos para o exame que iria fazer nesse dia, mas não sei como, quando ou porquê mas dou por mim envolvido em lágrimas, decididamente algo de estranho passava-se. Vasculhei o meu cérebro e todas as minhas memórias na busca de uma explicação – sexto sentido – pensei para mim que isso não passa de uma ilusão criada pelas mulheres na tentativa de explicar coisas sem explicação, e, segundo elas só a mente feminina possuía tamanho dom, por isso mais uma vez ignorei.

Cheguei ao meu destino. Parei para comprar um café para me entreter enquanto esperava sentado num banco de jardim pela minha companhia, a pessoa que eu amava. Tinha comprado o seu chocolate quente favorito com aquele toque de chantilly e canela que tanto adora. A sua lembrança fazia o meu peito doer e senti-me cheio de saudades da sua voz e do seu toque. Os minutos foram passando e não havia modos de chegar, aliás o chocolate passou de quente a morno, sem falar na minha preocupação que tendia a aumentar como uma função exponencial. Sinto o meu corpo a entrar em ebulição, pergunto-me a mim mesmo se as pessoas que me encaram conseguem ver o vapor que imana do meu corpo.

Puxo a manga do casaco que cobria o meu relógio, os meus olhos não queriam acreditar, a minha mente não conseguia entender, mas ao que parece estive envolto nos meus pensamentos durante 1 hora. Toda a minha ansiedade disparou nesse instante. Tinha passado uma hora e ainda não tinha chegado. Senti uma pontada no peito, aquela dor dilacerava-me a alma e senti a respiração falhar. Algo se passava – como consegui ignorar todos estes sinais – essa ideia assombrou-me por completo e deixou-me desolado quase com os joelhos pregados no chão. Assustei-me quando olhei para o telemóvel e vi que tinha os olhos raiados de sangue de tanto chorar.

Tentei ligar-lhe uma, duas, três vezes, mas sem resposta e fiquei cada vez mais receoso. Foi então que ao consultar a rede social que ambos usávamos descobri que tinha partido, o meu amor partiu e deixou-me sozinho, deixo o banco do jardim a correr, parece irónico correr para tentar fugir da dor que nos consome por dentro, a verdade é que corri a tentar fugir da dor, mas ela permanecia em mim fosse qual a direção que tomasse.

O meu amor deixou-me e não levou o amor que lhe pertencia, deixou-me as saudades e a tristeza de planos desfeitos. Não tive uma palavra, um beijo muito menos um adeus. Fiquei por estes lados com as lágrimas e com os sentimentos em montanha russa, enquanto o meu amor foi buscar outra felicidade. Caminhei até à minha faculdade feito bêbado, não tive culpa o chão ganhou formas sinoviais a até agora ainda não se endireitou, porque o meu amor deixou-me sozinho e sem rumo.