Deixa-me morrer, por favor.

Acordei com a vontade de dormir eternamente, vivo neste constante sofrimento. Mas tu nem percebes, pois não?

Solto um sorriso vago de quem não sabe sequer o que dizer quando acorda, engoles o meu sorriso como se fosse um doce néctar dos Deuses: é divina a forma como te escondo a minha dor, não é?

Como se diz a alguém que amamos, que queremos morrer? Queria garantir-te que a culpa não é tua, nem de ninguém na verdade, sou apenas eu. “Isso passa amor, tens-me a mim, isso devia fazer-te feliz, estamos tão bem.”

Deveria ser o suficiente, mas não é. Ter-te não me cala o sufoco constante no meu peito. É claro que tenho a medicação contada para tomar 5 comprimidos ao dia e a depressão passa, as mudanças de humor também. É claro que ainda existe um comprimido em caso de S.O.S, quando é mesmo o momento certo de S.O.S quando vivemos num constante vazio e num desejo aceso de morrer?

Existe algum botão em mim que possa ser desligado?, porque se existir eu pago a quem o encontrar e o puser no Off.

Claro que tenho motivos para sorrir, e faço-o a toda a hora, somos educados desde pequenos a ser simpáticos para o próximo, e eu sou. Aliás, todas as manhãs realizo uma sessão demorada de maquilhagem, que antecede a mais complicada das maquilhagens, aquela que nenhum maquilhador profissional consegue esconder: o interior.

Quando adormeço peço que o meu coração pare durante a noite. Quando acordo peço que um carro me atinja. Não é errado querer a morte quando a nossa alma nos foge do corpo, pois não?

Não controlo sequer as minhas emoções, a depressão e ansiedade tomam conta de mim, acorrentam-me as mãos e os pés, atiçam-me pensamentos devastadores e as vozes constantes na minha cabeça gritam-me que não presto.

Como pode alguém querer viver quando a nossa cabeça planeia todos os dias a morte do corpo?

Não preciso que me perguntes se estou bem, dispenso que me perguntes o que tenho, dispenso que me leves ao limite, dispenso que me queiras decifrar. Poder-te-ia pedir apenas que me abraçasses e que conseguisses ler no meu olhar o quando me sinto sozinha e desamparada?

Deixa-me chorar, mas não perguntes porquê.
Não te conto quando choro, não te conto quando me sento no chão e agarro os joelhos enquanto afogo a cabeça nos braços. Não te conto como me sinto desolada e aterrorizada por não conseguir controlar os meus sentimentos. Não te peço que me ajudes, também não te peço que me entendas. Aliás, nunca te pediria tal coisa porque te amo, e para que entendesses o meu tormento terias que passar pelo mesmo, não o desejo a ti meu amor, nem a ninguém.

Lamento que me digam que “Isso passa”. Porque não passa, os medicamentos adormecem-me o corpo, mas não a alma. De que me serve um corpo dormente quando a alma está em sofrimento?

Quero morrer, porque não aguento o vazio que há em mim.
Quero morrer meu amor, porque a minha alma foge de mim durante os constantes ataques de ansiedade.  Quero morrer, meu amor, porque não sou digna de viver uma vida a teu lado.

E se o meu último desejo fosse somente esse: desaparecer?


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