Mata-me de prazer!

"Vê se vens já, não aguento ver-te desfilar pela casa com a minha camisa vestida, não aguento esperar-te. E este desejo só aumenta."

Ainda guardo o sabor dos teus beijos na minha boca, guardo a certeza do teu olhar, o nosso desejo saciado nesta cama, nestes lençóis que me cobrem a nudez do corpo, a nudez… do pudor.

Fico aqui a pensar como é intensa a nossa paixão, como é voraz esta nossa vontade de nos matarmos em espasmos de querer, de nos envolvermos no toque da pele, no arranhar do corpo, no oscular de cada recanto do nosso ser. Guardo aqui o perfume da tua roupa, aquela que despi, aquela que deixei cair pelo chão – enquanto nos incendiávamos um ou outro, enquanto o tempo parecia tão pouco… para nos devorarmos: com vontade.

Nem sei como consigo ainda escrever estas palavras, sinto-me tão cansado, aparvalhado, alucinado por esse teu charme tão fatal, por essa tua vontade de fazer do sexo um hino à loucura, um convite ao orgasmo. Guardo-te em mim, e ainda nem me vesti só a esperar que voltes para a cama, que me mordas, que me desejes, que me faças mais homem!

Vê se vens já, não aguento ver-te desfilar pela casa com a minha camisa vestida, não aguento esperar-te. E este desejo só aumenta. E esta vontade só me atormenta. Vicias-me, mas vicias-me com uma força que nem tu imaginas.

A verdade é que me rendo a ti, rendo-me sempre, sempre que chegas e me despes, sempre que chegas e me beijas o pescoço – enquanto juntas o teu corpo ao meu. Já nem este copo de vinho me acalma, nem mesmo o silêncio desta casa que só escuta os teus passos. Vem agora! Mata-me já!

Mas… devagar. Mas… lentamente.

Mata-me de prazer!