(…) mas escolheste ser o interregno da minha vida!

Mais uma vez aqui estou eu sentado no telhado da minha varanda a pensar, a refletir, a imaginar, enquanto que o maço vai ficando vazio, o isqueiro sem gás, eu sem imaginação. Mais uma vez preciso de ti, nem que seja para me ajudar a imaginar mais cenários, ou fazer mais planos que sabemos que não se vão concretizar. Tanta coisa ficou por dizer, por fazer, e tu simplesmente decidiste ir num voo só de ida, sem sequer avisar. É irónico como duas pessoas podem estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo, não é?

Custa-me tanto ver que decidiste deixar tudo para trás e simplesmente seguir em frente, acabar um capítulo a meio de um parágrafo e continuar a história, como se esse capítulo tivesse sido só palha para teres mais palavras numa composição de português. Será que é mesmo assim, ou é apenas o teu orgulho a falar mais alto outra vez?

Soube que já tens outro. Um tipo charmoso, bem aparentado, musculado. Muito musculado aliás. Preocupa-me que haja sequer a ínfima possibilidade que seja isso que agora mais te atraia num homem. Que já não seja o sentido de humor, a sensibilidade, a preocupação, o amor. Que te aconteceu?

Talvez isto tudo seja uma ilusão. Provavelmente eu estou apaixonado por uma pessoa que já nem sequer existe. Podias ter deixado tanta coisa boa, porque tu de facto eras uma boa pessoa. Aliás, a melhor que já tinha conhecido. Os teus olhos radiavam paixão, alegria, sinceridade. Eras capaz de fazer um discurso sem sequer abrir a boca. Os teus olhos eram tão lindos como a tua personalidade, e foi isso que me fez apaixonar por ti praticamente mal de ti. Eu sei que parece um conto de fadas, mas no fundo história que tivemos pareceu isso mesmo. Em vez de marcares ainda mais a minha vida de forma tão positiva como fizeste no passado, decidiste fazer o oposto. De propósito ou não, mas foi o que fizeste. Toda a merda que tens feito apenas tornou essas memórias boas em recordações horríveis, e quem me dera conseguir tirá-las da cabeça. Quando é que vais sair da minha cabeça?

Odeio-te por todas as razões que te amo, e amo-te por todas as razões que te odeio. Engraçado como dois sentimentos opostos se complementam. Acabei cada parágrafo deste texto com uma pergunta, porque no fundo foi só isso que deixaste. Perguntas e a mais perguntas. Podias ser tudo e podias não ser nada, mas escolheste ser o interregno da minha vida. Um eterno incógnito, e isso minha pequena? Faz-me amar-te ainda mais. Odeio-te tanto.

PORThyme
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