De mãos dadas com a ansiedade!

Estou longe de ser boa pessoa. Farto-me de cometer erros e muitas vezes não sou capaz de admitir a culpa. Sei que tenho mestrado em arruinar a minha vida, em errar, em ser compulsiva e egoísta.

Mas também não quero ser a menina perfeita.
Muitas vezes falo sem pensar, tenho atitudes que só demonstram o quão criança ainda sou.

Não consigo omitir o facto de estar sozinha, não mais. A farsa caiu, ninguém diria que vivo na escuridão, até terem acesso ao que vai na minha mente.

Considero-me um erro. Para quem não sabe, é assim que uma pessoa com ansiedade se sente quando o mundo lhe caí aos pés.

De repente, tudo muda. O que estava bem, passa a estar mal. O que era uma decisão bem tomada, passa a ser um erro. De um momento para o outro, tudo escurece.

Tudo deixa de fazer sentido. Ficamos sozinhos, expostos, vulneráveis. E ainda rodeados de tanta gente, continuamos sozinhos, a par daqueles que sempre estiveram lá para nós, mas que não conseguem entender. Vemos a vida passar, as pessoas a seguirem com a sua vida, e nós ficamos presos no momento. E nunca num bom sentido.

Perdemos o chão, o ar, a razão.
Perdemos tudo. Mas também ganhamos muito.

Ganhamos coragem para tomar decisões que sempre fomos evitando, mas não somos corajosos o suficiente para proceder. É aí que o chão falha, a visão fica trémula, o corpo agitado, a mente histérica.

Continuamos a tentar mesmo depois de as opções terem acabado, precisamos de respostas para perguntas que não temos. Há uma necessidade enorme de ter quem/o que culpar.
De repente, a nossa cabeça dói, o nosso corpo dói, temos medo, temos sono, temos fome.

Estamos cansados, queremos dormir, queremos fugir. Evitamos pessoas, lugares e conversas. Queremos pensar mas o nosso cérebro pará. Queremos chorar, mas as lágrimas não caem. Queremos dormir mas a cabeça não descansa.

Esquecemo-nos das pequenas coisas, das chaves na porta, da cama por fazer, do carro destravado, do rádio ligado, da torneira aberta.

Ficamos com medo de errar. Com medo da vida, do relógio, do mundo.
Dou por mim a cerrar os punhos, a estalar os dedos, a revirar o cabelo, a abanar a perna. Já foi, já perdi noção de mim.

Tentamos explicar de mil maneiras diferentes o que nos está a afetar, o que nos dói, mas por alguma razão, nunca temos nada.

Ansiedade é como um vazio, que por muito que se tente consertar não tem como não existir.

Isto é como uma pessoa que vive com ansiedade se sente, um dia tem tudo, noutro simplesmente morre.

PORRachel Stefan
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