Mãe, transbordas em mim…

Conheces cada choro meu, seja ele de gripe ou de medo, de amor, ou da falta dele.

Carregaste-me dentro do teu ventre por nove meses e por quase dezanove anos me tens carregado sempre nos teus braços, mesmo quando eles estão dormentes e os teus olhos brilham de cansaço. És tu quem me segura.

Entras sem bater, deixas-me sair e depois questionas-te “e se ela for raptada?”. Sei que tudo o que queres é proteger-me dos males do mundo, mas olha só, eu preciso voar sozinha e cair sozinha também. Preciso quebrar as minhas asas algumas vezes para aprender forçadamente as lições que não quis que tu me desses. É o ciclo da vida, mãe.

Pedes favores chatos, implicas com coisas mínimas e quando te respondo de forma não tão educada ainda implicas mais. Não é que estejas errada. Estás sempre certa e eu queria perguntar-te, algum dia não estarás?

Dás-me roupa, tempo, dinheiro, conselhos, cuidados.

Sempre dás um jeito a tudo, um nó, uma bronca, o teu colo e dás força.

Curas tristezas, o meu pânico noturno, acalentas os meus medos.

Espantas os monstros, proteges-me dos perigos. Salvas-me.

Guardas tesouros, contas histórias e tens lembranças.

Transbordas, inundas, transcendes. És a melhor do mundo mãe, amo-te!

PORLetícia Brito
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