Mãe, obrigada por fazer de mim uma guerreira!

Há sempre um dia especial na vida de uma menina: O dia em que se torna mulher.

O dia em que todas as suas coisas enchem meia dúzia de caixas de cartão. O dia em que a mala fica encostada à porta de saída. O dia em que dá um beijinho à mãe e um abraço de despedida ao pai. O dia em que parte para o mundo, sozinha. Para um mundo ao qual ainda não pertence, para um mundo que ainda não conhece. Para um mundo onde não importa o quão doente está ou o quão frágil é. Para um mundo onde é cada um por si, onde não se ajudam uns aos outros.

E esse dia chega sempre, simplesmente chega, e quando dás por ti tens tudo arrumado e estás bem longe daquilo que foi durante muito tempo, o teu berço. E assim que esse dia chegar perceberás que os papás tinham razão, que as ruas são perigosas, que a renda é cara, que as contas não se pagam sozinhas, que o carro não anda a ar, que a alimentação é metade do ordenado, que as pessoas são oportunas, que o escuro esconde memórias, e mal esse dia chegue, vais implorar para voltar.

Vais querer voltar para o teu berço, para o colo dos papás, tão protetores e tão chatos, tal como dizias serem. E durante muito tempo, isso será a única coisa a ocupar a tua mente. Mas não o irás fazer, e todos esses demónios que te consomem e torturam irão desaparecer, e eventualmente tudo melhorará, assim que aprenderes a tomar conta de ti.

As ofertas de trabalho irão começar a aparecer, e aí é quando agradeces por te terem obrigado a estudar. As contas serão sempre pagas a tempo, e aí é quando agradeces por te terem ensinado a ser poupada. Os amigos verdadeiros vão aparecendo aos poucos, e aí é quando agradeces por te terem obrigado a deixar certas companhias. O jantar será sempre servido, e aí é quando agradeces por te terem ensinado a cozinhar. A roupa vai andar sempre limpa e engomada, e aí é quando agradeces por te terem ensinado a ser organizada. A casa vai estar sempre arrumada, e aí é quando agradeces por te terem chateado tanto aos sábados de manhã para ajudares nas tarefas domésticas.

Nessa altura vais olhar para trás, com as lágrimas nos cantos dos olhos e vais agradecer por terem criado uma guerreira e não uma princesa.

E assim que esse dia chegue o medo de ser mulher passará, pois por essa altura, já o serás. Neste momento dás por ti a ler isto e a pensar: ..”porra, como ela tem razão.”.. Mas não, não tenho, não te deixes enganar, sou mulher o suficiente para o afirmar, mas jamais deixaria o abrigo que tem sido o conforto dos papás. E tal como tu agradeço todos os esforços e sacrifícios, todas as conversas e discussões, todas as tarefas e obrigações a que me propuseram, agora entendo que nunca foi um teste, apenas um conselho de quem por lá já passou.

PORRachel Stefan
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