Lutas constantes comigo própria…

Ultimamente ando numa luta constante comigo própria. Sinto-me tão cansada, tão cansada das rotinas desgastastes , tão cansada de ser insignificante , tão cansada de me sentir completamente sozinha, mesmo eu estando rodeada de pessoas. Pessoas. Ser humanos. Somos considerados a espécie mais inteligente do planeta, e no entanto somos a mais retrógrada. Somos capazes de desiludir quem nos que ver bem, e somos capazes de tentar agradar quem nos despreza.

Sinto que estou num labirinto imenso. A cada escolha sinto que estou a retroceder e em cada erro sinto que me perdi totalmente. Está tão difícil encontrar a saída. Deixei de colar rótulos nas outras pessoas e decidi colocar em mim mesma. Não me consigo olhar ao espelho e gostar do que vejo. Quer dizer, ás vezes, nem tenho tempo de me olhar ao espelho. Mesmo que tivesse seria tempo perdido , não é?

O meu maior inimigo sou eu mesma, há sempre uma parte de mim que é extremamente sensível e que ainda acredita na saída vitoriosa e existe outra parte de mim que está despedaçada , cansada e sem esperança. Sinto que a cada batimento do meu coração eu fico mais insensível. Deixei de acreditar em promessas e em certezas.

A minha única promessa é que apesar de tudo vou continuar a sorrir como se tudo fosse fácil. É estranho termos promessas com o nosso maior inimigo? É. É tão estranho eu ter promessas comigo mesma, mas é tão estranho eu me odiar. Portanto , é tudo estranho. A minha única certeza é a morte. Sim a morte.

Para mim já deixou de ser uma palavra , digamos, ‘pesada’. A morte tornou-se a minha maior certeza. Não há ninguém que a quebre , portanto não tenho medo que ninguém quebre mais promessas. Ninguém a pode eliminar portanto a morte é a única certeza viva. Não sei se existe alguém superior , mas talvez exista , não digo com certezas, pois a minha única certeza é a morte.

Mas se existir eu queria agradecer-lhe. Agradecer-lhe por me dar batalhas duras, e labirintos. Isto tudo faz-me crescer. Mas, crescer a odiar me é bom? Odiar-me se vou ter que lidar comigo sempre? Odiar-me porque tenho muitos motivos? Ou porque não tenho nenhuns? Odiar-me porque colocam rótulos em mim e eu deixo que eu própria os coloque ? Onde é que eu cheguei? Cada lágrima minha devia ser uma vitória, eu devia dar valor à minha existência. Embora , ás vezes, eu precisasse de morrer. Morrer sim.

Gostaria de saber as reações das pessoas. Será que ainda me odiariam mais? Ou talvez , vestissem o fato da hipocrisia ? Não sei. Talvez não teria impacto em ninguém. E talvez fosse uma notícia esquecida e desprezada. Ou talvez uma memória triste e impossível de ser esquecida. Talvez uma vitória para muitos , e uma derrota para outros. E para mim, a minha morte , seria o quê? Uma vitória ou uma derrota? Eis a questão.