Leva-me a ver as estrelas e não para a cama

Leva-me a um café pequeno, onde se toque rock dos anos 60. Leva-me à Serra da Estrela e deixa-me adivinhar como se chama a árvore de onde caiem essas folhas de cinco pontas, que atapetam o chão de amarelo. Ou então não leves. Mas sobe comigo cento e tal degraus e oferece-me um pedaço de serra através de binóculos. Sabes, daqueles presos ao chão, em que pões uma moeda e demoras muito tempo a encontrar o sítio para onde queres olhar.

Dá-me a tua mão. Se estiver a chover, vem parar o tempo comigo. Ou simplesmente saltamos poças. Nunca saltei poças de água e estou mesmo tentada a comprar umas galochas. Daquelas com florzinhas. Se fizer sol, leva-me a passear.  Não quero Paris, Veneza ou Xangai. Quero a tua mão na minha, a calçada portuguesa sobre os meus pés e nós de destino a uma esplanada com café demasiado bom, para matar este meu vicio por cafeína, ou a um cinema com preços muito em conta. Não me leves para longe – de vez em quando pode ser. Leva-me ao sorriso mais próximo ou ao teu sítio favorito. Leva-me a ver as catedrais da cidade, os desenhos que se escondem pelas ruelas ou os fados que se cantam nas tascas mais pequenas.

Não tenho medo de dores nos pés – só de dores na alma – por isso não penses que estarei a fazer um grande sacrifício ao percorrer ruas e vielas. Não te vou deixar a meio do caminho.

De noite, não me leves para a cama. Leva-me a ver as estrelas. Se souberes os nomes das constelações, ensinas-me? Bem, se não souberes também não faz mal, fingimos, ou então, contaremos estrelas cadentes. Se não houver estrelas cadentes para contar, conta-me histórias. Mas, essencialmente, diz que gostas de mim. Di-lo alto e bem claro. Ou sussurrado e entrecortado. Mas di-lo, por favor.

Não quero mensagens ou cartas escritas, por mais bonita que seja a tua letra. Quero um “olá, gosto de ti” da tua boca. Quero algo esporádico e verdadeiro, mas acima de tudo, corajoso. Não quero promessas,  e muito menos,  planos para daqui a três anos. O futuro lá se encarregará disso, se tiver de ser e de acontecer.

Por agora, pega-me na mão e leva-me daqui. Eu sei que está a escurecer, mas a noite ainda é pequena e a calçada ainda existe lá fora.  Então, não me leves para a cama. Mostra-me o mesmo céu que veríamos em Veneza, Paris e Xangai. Dá-me memórias e histórias. Leva-me a ver as estrelas.


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