Leva-me em segredo…

E eu tinha.. sim tinha.. tinha medo que me tirasses o chão enquanto dormia na paz da tua calma. Que revirasses o meu conforto como num terramoto. Que o fizesses e não olhasses mais para trás, para os estilhaços que iriam ficar de mim. E no fundo, lá numa parte bem perto da realidade eu sabia que era o que iria acontecer. Dizem que a vida nos dá sinais e que nós única e simplesmente os temos de interpretar. Racionalizar os teus doía. Era mais fácil aconchegar –me na mentira do que no real. A verdade é que o caminho mais fácil acaba sendo sempre o mais difícil. Agora durmo na reviravolta da tua inconstância, na dor da tua partida. Já não há um sol que se atreva a brilhar com medo da tempestade que vem de seguida. A noite é fria e as estrelas escondem-se com receio da esperança de que voltes.

Ninguém é feliz sem calor, sem luz por isso acende uma vela no meu coração. Manda erguer um farol numa praia longínqua e leva-me contigo. Tira-nos do mundo onde tudo é preto… vamos para aquele lugar onde a água é límpida e não há dor. Faz isso por nós. Um dia disseste – me que Deus escreve direito por linhas tortas. Juro – te por tudo que agora acredito. Desembaraça as minhas, desalinha-me e faz delas rédeas para te guiarem até mim de novo. Corta-as de seguida para que ninguém saiba o nosso rumo. Não te atrevas a gritar ao vento que conseguiste… ele às vezes é traiçoeiro e apunhala-nos pelas costas.

Vem e não digas. Fica segredo. Prometo


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