Lembro-me dela

Lembro-me dela. Não apenas do nome dela, nem da cara dela, mas da alma. Recordo cada passo que ela dava, da poesia na ponta da língua, da voz dela. Lembro-me do cheiro da pele e da respiração ofegante. Lembro-me do coração dela a bater contra o meu, essas duas almas abraçadas pelo mesmo lençol numa noite de primavera.

Tudo isso: já não existe. O amor já não mora aqui. Tudo tem um fim, e eu continuo sem conseguir livrar-me de cada uma dessas memórias, desfeitas num coração vazio que conta agora quantos dias é possível viver sem o beijo dela a preencher-me o corpo.

Questiono-me quantos anos serão precisos até que o amor ganhe novamente sentido, onde reside a confiança quando tudo chega ao fim, como quando tentas, e voltas a tentar, tentativas atrás de tentativas, e os demónios que restam te afogam a esperança nas lágrimas que choras.

Lembro-me dela, a saltar da varanda do quarto andar.
Ainda me lembro…


PELA WEB

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