Lembraste-te de mim?!

É em noites estreladas, como esta, que dou por mim a pensar em ti. Tento compreender-te, compreender as tuas atitudes e comportamentos por entre o brilho das estrelas. Procuro um caminho e um novo reencontro contigo, mesmo que saiba que já é de todo impossível porque já não me pertences, já não fazes parte da minha vida, do meu coração, da minha alma e do meu caminho. Há muito que os nossos caminhos deixaram de se cruzar. Não tenho capacidade para entender a tua indirecta insistência, o facto de continuares a mostrar que continuas a lembrar-te de mim quando eu menos espero e imagino.

Porque é que te lembras de mim? Será porque nunca me esqueceste, apesar de teres sido tu a querer afastar-te. Ou será porque de uma forma ou de outra ainda tenho algum significado para ti? Magoa-me tanto pensar que tentas manter-te presente à distância como se a minha existência fosse para ti apenas o simples voo de um pássaro por entre a brisa, que tu geres como queres e bem entendes, de forma a satisfazeres sempre todos os teus caprichos, sonhos, desejos e vontades.

São questões para as quais não encontro uma resposta ténue, principalmente porque depois de ter sinais de ti, tu voltas a desaparecer da minha vida e a fazer de conta que eu não existo para ti. E de facto, sinto que há muito que não existo, assim o quiseste. Limitas-te a viver a tua vida e a remeteres-te ao silêncio.

Não vou estar sempre aqui para ti, à tua espera. Não quero estar sempre aqui disponível para ti, para as tuas loucuras e devaneios, para te ouvir. Jamais te deixarei voltar a entrar na minha vida, e muito menos permanecer, não és digno do meu coração. Não preciso nem quero que faças parte da minha vida.

Por isso… Esquece-me. Ignora-me (não me importo, nem fico ofendida) e segue com a tua vida. Não te prendas por mim, afinal de contas, já não faz sentido. Não fazemos sentido um para o outro, e as tuas lembranças também não fazem sentido para mim, nem têm qualquer lógica.

O que é que importa lembrares-te de mim, se nos momentos fulcrais em que mais precisei de ti tu não estiveste lá?

Todas as histórias começam da mesma forma: a medo, suaves e ténues. Lentas como o rebentar de uma onda. Tentando desbravar caminhos juntos, conhecendo-nos por dentro e por fora, partilhando sorrisos, olhares, toques, palavras, histórias e pensamentos. Redescobrindo-nos um ao outro. A nossa leve história não foi muito diferente, apesar de, à medida que o tempo foi passando, eu sentir que já não te enchia as medidas como eu sonhava e imaginava. Como eu acreditava. Procuravas mais, querias mais, sentias muito mais do que aquilo que eu te queria dar.

E do nada trocaste tudo. Transformaste meses de vivências consideradas eternas em simples coisas passageiras como uma folha de papel que usas, amachucas e deitas fora. Trocaste-me e trocaste o que tínhamos por mil e um novos recomeços.

O tempo continuou a contar. Deixei de te ver, de falar de ti, de ouvir falar de ti e de ter notícias tuas. Percebi que – finalmente – tinha conseguido esquecer-te para sempre, eras apenas uma memória fantasma.

Até ao dia em que decides voltar, sem eu saber porquê. Talvez regresses apenas porque te apetece. Sem eu estar à espera, sem te pedir nada, sem querer nada em troca. Apenas voltas porque, talvez, te dê jeito fazer mais uma tentativa para continuares aquilo ao qual quiseste pôr um fim sem uma razão compreensível.

Já que gostas tanto de te lembrar de mim, deixa-me apenas recordar-te uma coisa:

Gostei demasiado de ti; mas já não me fazes falta.

PORAna Ribeiro
FONTEEscreViver
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