Lei da Indiferença


Quantas vezes se desligaram de alguém que vos era muito querido só porque a pessoa se desligou primeiro? E quantas vezes tentaram reverter essa situação?

Numa vida em que tudo é passageiro e a lei do desapego e indiferença impera, tudo isto é normal.

Quem nunca viu um pequeno grupo de amigos que num mês se dava bem, ou um casal que se adorava, no seguinte se tratarem como desconhecidos? Quem nunca perguntou o porquê e ouviu um «Não se deram bem…» ou um «Quem liga? Nem eles parecem importados.»…?

É raro isto acontecer em grandes grupos, nestes casos um elemento chama à razão e com ajuda de outro conseguem facilmente recuperar a amizade… Mas entre duas pessoas ou pequenos grupos, quando a indiferença ou o orgulho vencem, é muito difícil reverter o afastamento.

Isto não acontece porque ninguém quis voltar ao que tinha antes, falemos de uma amizade ou uma relação… A verdade é que na maioria das vezes a segunda pessoa não liga… Ou não demonstra.

Em algum momento todos nós passamos por esta situação e tentamos mudar, tentamos voltar a ter aquela amizade, aquela relação… Porque sentíamos falta, e o que sempre recebemos como resposta? «Não é nada disso, a nossa amizade/relação está igual», «Tu és importante para mim, não me estou a afastar», «Deve haver algum problema com o meu telemóvel, entre nós está tudo igual, não faças filmes» ou até… «Ando sem tempo, desculpa-me, não é por mal, sempre que posso eu respondo-te…». Mentiras, desculpas… E do que serve insistir se percebemos que a pessoa não liga?

Vezes e vezes sem conta me deparo com o mesmo problema. Preciso fingir que não sinto. Sinto necessidade de gritar, de me fazer ouvir, de tentar corrigir alguma situação e não posso. Não posso porque sei perfeitamente que a pessoa não liga.

Para mim entender como as pessoas se desligam de um momento para o outro umas das outras, é me particularmente difícil. Num momento estão com apelidos doces, falam a toda a hora, desabafam e ouvem os teus desabafos… E entre um dia e outro, puff, tudo se foi… Passam a demorar horas a responder, se o fizerem, não falam mais dos seus problemas, não são mais queridos, e de uma grande amizade passam a ser não mais que conhecidos ou mesmo desconhecidos…

É suposto eu não me sentir magoada? É suposto eu fingir que está tudo normal e não expor o problema, não pedir uma explicação? Talvez seja, talvez seja eu que sinto demais, não sei…

Eu gostava de ser daquelas pessoas que suspiram e viram a página, porque cada vez que suspiro solto um “era só mais um(a)”, quando me apercebo já desceu uma lágrima, e outra, e outra.

Com amizades, doí, com relações, destrói.

Como dizem, o pior adeus é o que ficou por dizer, e, na minha opinião, é o que quebra mais corações.

RECOMENDAMOS