Lá estava ele…

Eu entrei na porta e lá estava ele no balcão. As batidas do meu coração eram agora cada vez mais fortes. Era incrível como a presença dele me conseguia descontrolar. Não sei como disfarcei a vergonha e sentei-me. Nisto ele veio cumprimentar-me e perguntar-me se queria algo. Na verdade o que eu queria estava já ali comigo. Mas disse que para já não queria nada.

E a noite foi passando, e eu não conseguia sequer descolar dele, era inevitável não apreciar o trabalho, a dedicação, e o encanto dele. E agora eu via, que estava a deixar me levar por algo que eu não queria que acontecesse. Eu não queria de maneira nenhuma sentir algo por ele. Também sei que ele não tem culpa, mas ele passa e é como se desfilasse, ele fala e é como se cantasse, ele é tão ele, tão natural, tão subtil ! Não sei como posso acrescentar algo que não posso acrescentar, algo que estou a sentir e não posso sentir. Algo que de certa forma irá mudar a minha vida, irá novamente me ferir. E eu não me quero sentir dependente de ninguém, mas isso já se começa a manifestar. Eu sinto a necessidade de o ver, de falar com ele e não, eu não gosto de sentir isso.

Ele puxa a cadeira e senta-se a minha beira, e eu consigo sentir o perfume dele a essa pequena distância. Pequena no sentido verídico, em minha opinião aquela era, sem dúvida uma grande distância. Queria eu poder decidir a distancia entre mim e ele. E não o posso fazer. Queria eu poder olha-lo de perto, e detalhar seu rosto. Queria eu tocar na sua pele, e deliciar sua suavidade. Queria eu poder dançar com ele para seguir seus passos. Queria eu abraça-lo e sentir seu coração bater forte, e de alguma maneira pensar que era eu o motivo daquele batimento cardíaco.

Ah, e eu já referi quando ele dança? Bem, eu menti, ele não dança,ele arrasa. E quando vou embora, tenho vontade de ficar com ele. Dizer-lhe como as coisas estão para o meu lado. Mas não o posso fazer, não posso afastar um amigo por o querer mais que isso. E eu sei, que lá no fundo, eu podia lutar, podia tentar. Mas será que iria valer a pena o esforço ? Será que daria valor? Nunca ninguém deu. E eu podia, mostrar-lhe que bonito é viver amando, quem nos ama. Mas será que amar chega? Eu já duvido do que é necessário para prosseguir com uma relação. Mas o tempo dirá. E se o tempo não disser, eu decido se me pronuncio. Até lá, vamos vivendo assim os dois, ele no canto dele, e eu no meu. Apenas amigos, que se encontram de vez em quando.

PORTânia Ribeiro
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