Já esperei mais do que o tempo…

Já esperei mais do que o tempo
Deformando-me enquanto passa
Criatura impaciente,perante desgraça
Arrisco-me demais e desconcentro

Pois Perdido e sem centro
Num caminho que não avança
Pelas flores murchas (já cansa)
Pelas veredas sem rebento

Alegria minha que descontento
Que ri como criança
Eis como dança
Por minha alma pela noite dentro

Não nasceste a sul de Chipre
Nas ondas comuns do mar
Mas quem é essa Afrodite?
Na minha mente a vaguear

De pele de ébano revestida
Elegantemente vestida
Perante minha mente ensurdecida
Não deixa de ser ouvida

Pois da sua voz ornada
Surge ardentemente seus lábios
Da sua face rosada
Que ninguém viu nem os sábios

Nem Helena se compara
Nela tudo é nada se separa
Nos olhos me prende. Para!
E Meu coração se depara.

Que pode ele contra ela
Ele que me quer junto dela
Que já à sabe tão bela
E o prende como cela.

Desventurado prisioneiro
Certamente não és o primeiro
Pois tal encanto enlouquece
A qualquer um e não se esquece

Na memória fica retida
Tristemente detida
Traços de seu corpo
E fico como morto

Imóvel e intermitente
Como pessoa doente
Peço nada mais; um beijo
Que acalente o desejo